O mercado de trabalho parece encolher a cada dia e jovens profissionais, mesmo os graduados, têm dificuldades em arranjar um emprego. Nessa hora, uma experiência no exterior pode fazer a diferença tanto pelo conhecimento de um outro idioma quanto pela própria vivência profissional em outra cultura. São pontos precisos na concorrida disputa por um posto de trabalho. Trabalhar ou estagiar em outro país está ficando cada vez mais fácil. Várias empresas de intercâmbio mantêm parcerias entre mais de 70 países para um intercâmbio direcionado a estágios. Neste sistema de parcerias, o Brasil, além de enviar representantes, recebe estudantes dos quatro cantos do planeta.
Fernando Faria Fidelis, 23 anos, acaba de retornar da Espanha onde estagiou por dois meses na Prefeitura de Valência. Ele concluiu o curso de Engenharia Elétrica na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e teve a oportunidade de colocar seus conhecimentos em prática em outro país. ''Aprofundei conhecimentos, principalmente na área de iluminação pública, assunto que tinha apenas uma noção antes da viagem'', conta. A língua, apesar de semelhante ao português, dificultou a comunicação no começo. ''Em Valência tem muita gente que fala o valenciano e às vezes era difícil'', explica Fernando.
O estágio não exigia tanto em termos de horário. Fernando trabalhava até as 14 horas e tinha o resto do dia para descobrir novidades nas terras espanholas. O dinheiro que ganhava dava para o sustento e também para guardar. Tanto que ele viajou por 15 dias pela Europa e ainda pagou um curso intensivo de espanhol antes de retornar a Londrina. ''Eu e outros amigos compramos o passe de trem para 15 dias e conhecemos Barcelona, Paris, Amsterdã, Copenhague, Munique, Berlim, Zurique, Roma, Veneza e Piza'', enumera. Algumas noites eram passadas dentro do trem para economizar e outras em albergues ou hotéis.
O jeitinho brasileiro gerou até uma situação inusitada em Paris. ''Queríamos gastar o mínimo possível e combinamos de dormir uma noite no hotel e a outra na estação de trem. Só que a estação fechou à 1 hora da manhã e tivermos que sair. Acabamos dormindo na entrada de um metrô e passamos frio porque estávamos todos de bermudas e a bagagem ficou guardada na estação'', diverte-se.
Fernando lamenta apenas ter conhecido o programa de estágio quando estava já no último ano da faculdade. Como é exigido vínculo com uma instituição de ensino superior, ele não pôde participar. ''Se pudesse iria de novo. Conheci muitos lugares e não sei quando poderei fazer isso de novo'', garante.
Diego Soares, 21 anos, também viveu essa experiência. Estudante de Hotelaria e Turismo, ele passou mais de cinco meses na Irlanda trabalhando no Hotel Woodlands House. ''Passei por várias áreas, inclusive trabalhando na organização de casamentos que ocorriam toda semana no hotel'', descreve o estudante. Antes da viagem ele nunca tinha entrado em um hotel para trabalhar, por isso o estágio trouxe muitos benefícios.
Além do conhecimento profissional, Diego salienta que amadureceu. Foi um estágio de vida. ''O mais legal é a experiência. Você tem que se virar e não tem como ficar ligando para o pai ou a mãe para lamentar. Você passa a dar valor às pequenas coisas'', conta.
Como Fernando, Diego conseguiu juntar um bom dinheiro durante o estágio e passou um mês em Londres de férias. ''Sobrava bastante dinheiro até porque eu ganhava muita gorjeta e o hotel dava hospedagem e alimentação. Mas gastei tudo em Londres'', detalha. Depois do estágio, Diego impulsionou a carreira e obteve o cargo de gerente de uma empresa de intercâmbio.
Formada em Hotelaria e Turismo, Juliana Grigoli Pelarim, 25 anos, passou por uma experiência diferente. Ele foi para os EUA trabalhar em um programa de férias. Durante quatro meses a rotina de Juliana foi trabalhar em um hotel e também em um mercado gourmet como caixa. ''Foi legal porque deu para pegar experiência em hotelaria, mas foi bastante trabalho braçal'', comenta. Ele ficou no estado da Carolina do Norte em uma cidadezinha chamada Duck. A hospedagem era em uma casa do hotel e tinha um custo de US$ 75 por semana.
O trabalho duro valeu a pena, principalmente pelas viagens que ela pôde fazer. ''O salário dava para eu me manter e sobrava dinheiro. Depois viajei para Washington e Nova York e ainda trouxe mais dinheiro para o Brasil do que o que eu tinha investido para ir'', relata Juliana. Entretanto, ela alerta que isso depende muito do estudante. Se ele for com a intenção de comprar muitas coisas acaba não sobrando dinheiro. ''Tem estudante que compra até carro'', diz.

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