Curitiba vê Bakun
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Arquivo FolhaMiguel Bakun: um dos mais
importantes artistas plásticos
que o Paraná já teveUma exposição com 27 quadros do pintor Miguel Bakun, que será aberta hoje, às 10h, na Galeria MoldArte, vem na contramão de tudo que se refere ao pintor. Muito se escreve sobre o artista, sempre em torno de sua morte, ocorrida em fevereiro de 1963. A obra, que valeria ser vista, fica em segundo plano, como se a história e velhas discussões fossem mais importantes que as telas.
Trabalhos inéditos farão parte do acervo que será mostrado na galeria até dia 31. Bakun foi um dos artistas mais pessoais de toda uma geração, diz o curador e artista plástico Ronald Simon. Para ele, acontecimento como este é uma forma de resgatar parte do grande valor de Bakun.
Reprodução
Paisagens pintadas por Miguel Bakun
Dono de um estilo pessoal, fugindo às leis acadêmicas, o artista criava retratos e paisagens peculiares. Ele era fiel à sua maneira de olhar o mundo e a vida. Subjetivo, sincero, carregava consigo o misticismo. Comecei a procurar Deus e observei que se encontrava nas flores, frutos, cores, vida, luz e movimento, dizia.
Nascido em Marechal Mallet, em 1909, Miguel Bakun tinha outros planos para sua vida. Frequentou a Escola da Marinha de Paranaguá, sendo depois transferido para o Rio de Janeiro.
Acidentou-se caindo do mastro de um navio, quando tinha 21 anos. O episódio fez com que fosse desligado da Marinha por incapacidade física. Radicou-se então em Curitiba, onde passou a trabalhar como fotógrafo ambulante. Incentivado por Guido Viaro e Luiz Groff, começou a dedicar-se à pintura, tornando-se um dos principais artistas paranaenses. Depressivo, terminou a vida suicidando-se.
Miguel Bakun - Na Galeria MoldArte, Rua Claudino dos Santos, 72, Largo da Ordem. Abertura: hoje, às 10h. Prossegue até 31 de outubro.


