No emaranhado de festivais de dança que acontece de norte a sul do Brasil – há informações que são 85 em todo o País – mais um vai entrar nesse meio, disposto a chamar a atenção e ser um dos integrantes da nata dos eventos. Está marcado para acontecer de 3 a 8 de novembro o Festival de Dança de Curitiba, com atrações internacionais e de caráter didático, visando à formação dos bailarinos, e premiando os melhores sem a competividade tradicional dos primeiros, segundos, terceiros lugares.
Por detrás da movimentação está a empresária Cloris de Souza Ferreira, que anualmente realiza o Festival de Cinema e Vídeo e em 1999 promoveu a primeira edição de um festival de música de câmara.
‘‘O projeto da dança está orçado em R$ 400 mil, foi aprovado pelo Ministério da Cultura e no momento estamos na fase de captação’’, afirmou a empresária à Folha2. De acordo com as expectativas, talvez ‘‘até setembro dê para fechar contratos com as companhias internacionais’’.
Ex-diretora dos corpos estáveis do Teatro Guaíra, já nesse tempo Cloris Ferreira sentia ‘‘a necessidade de se fazer alguma coisa para formação dos bailarinos paranaenses’’. Apesar do Ballet Teatro Guaíra ainda assim faltam incentivos aos jovens interessados na dança, analisa. Foram necessários seis anos de pesquisas para que se decidisse a colocar o festival no palco.
‘‘Foi um tempo necessário para a gente poder montar um projeto que tivesse retorno e reconhecimento imediato numa área que é bastante discutível. São 85 festivais de dança no País, muitos sem qualquer conceito, que só visam ao lucro imediato do dinheiro’’, disparou. ‘‘Eles mostram coreografias que não têm base nenhuma no conhecimento clássico ou moderno, em nenhuma área específica da dança’’.
Com tantas opções à sua frente, os jovens ‘‘ficam incrédulos, sem saber exatamente por onde fazer uma base confiável’’. É necessário dar-lhes parâmetros de qualidade. Dentro dessa perspectiva acontecerão workshops que são inusitados em acontecimentos semelhantes, como os de dança masculina básica e de repertório de pianista para dança.
À noite haverá apresentações de grupos internacionais, como os de Maguy Marin e outro do Uruguai. Os espetáculos nacionais nada ficam a dever aos do exterior, mesmo porque a fama dessas companhias há tempos atravessou as fronteiras – é o caso do grupo de Regina Miranda; do Quasar, de Goiás; do Corpo, de Minas Gerais e dos paulistanos Dança e Raça. Os convites foram feitos; no momento estudam-se as negociações.

mockup