Curitiba, que já começou a agitar 1999 com a 17º edição da Oficina de Música, vai sacudir mesmo depois do Carnaval. Em março acontece o já tradicional Festival de Teatro, que terá duração de dez dias, e no começo de maio, acontecerá a terceira edição do Festival de Cinema e Vídeo, que luta por um lugar ao sol.
O 8º Festival de Teatro de Curitiba vai acontecer de 18 a 28 de março. Os ingressos para os 19 espetáculos da mostra oficial também já estão no calendário - começam a ser vendidos dia 23 de fevereiro. Praticamente um mês antes do início da festa.
O Fringe, mostra paralela surgida 1998 caráter experimental, fez tanto sucesso que se tornou fixo do FTC. Este ano deverá contar com mais de 30 peças, contabiliza o empresário Leandro Knopfholz, um dos organizadores do evento.
A oitava edição do Festival de Teatro de Curitiba trará uma novidade em sua abertura, que tradicionalmente ocorria no Ópera de Arame. Desta vez será no Guairão, e ao invés de uma peça teatral, o publico assistirá a um show de variedades dirigido por José de Anchieta.
Arquivo FolhaCloris de Souza Ferreira, criadora e organizadora do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba, que está com as inscrições abertasAs artes serão celebradas nessa montagem. Música, pintura, teatro, literatura estarão em cena, saudando os onze dias em que Curitiba mergulha no agito cênico. Ano passado 55 mil pessoas assistiram às peças levadas desde os endereços mais conhecidos, aos alternativos.
EstréiasCaso não ocorram mudanças na lista dos cartazes, este festival será marcado pelas estréias. Dos 19 títulos, l6 serão inéditos. Destaque para o monólogo ‘‘Nijinski’’, interpretado por Luís Melo. Numa mistura de teatro e dança, virá de São Paulo ‘‘Bent - O Canto Preso’’, com o grupo F.A.R.15.
Coreografado por Sandro Borelli, é uma adaptação do texto de Martin Sherman, ‘‘Bent’’, que tem como pontos centrais o preconceito e o nazismo. Um homem é perseguido e preso por ser homossexual, e se faz passar por judeu na tentativa de amenizar seus horrores. Na prisão fica amigo de outro homem, apaixonam-se e se tornam amantes. Os diálogos da peça são traduzidos no balé no movimento dos bailarinos.
Sandro Borelli esteve em Curitiba há dois anos, quando apresentou ‘‘Deadly’’, espetáculo de enorme sucesso junto aos curitibanos. O coreógrafo tem sete peças premiadas nos últimos anos. Em 1997, com Sônia Soares, criou o F.A.R. 15, companhia de repertório. Seu grupo viajou para Nova York (participou do ‘‘Brasil With S’’, recebendo boas críticas no ‘‘New York Times’’ e ‘‘Village Voice’’) e Buenos Aires, além das apresentações em São Paulo.
A alemã Nehle Franke, que ano passado trouxe a contundente ‘‘Divinas Palavras’’, volta com ‘‘Roberto Zucco’’, de Bernard-Marie Koltés. Antonio Araújo, responsável por uma belíssima encenação na Catedral de Curitiba e num posto de saúde (‘‘O Livro de Jó’’), duas montagens das mais concorridas quando aqui apresentadas, vai mostrar uma leitura cênica.
Os atores Marcos Ricca e Rubens Carybé fazem o mesmo com ‘‘Shopping & Fucking’’, texto do grupo inglês Out of Joint. Duas montagens curitibanas estão no time oficial: ‘‘D.C.V.X.V.I. - Eis o Filho da Luz’’, com texto e direção de Paulo Biscaia Filho, e ‘‘A Mandrágora’’, de Maquiavel, com direção de Eugênio Gielow.
‘‘Eis o Filho da Luz’’ coloca em cena um assassino, Febrônio Índio do Brasil, em paralelo às transgressões da Semana de 22, que escandalizou São Paulo. Febrônio, assim como a Semana, faz parte da história brasileira. Filho de açougueiro, fez-se passar como dentista e médico, nos anos 20, chegando a clinicar em diversas cidades, inclusive Curitiba. Depois de diversos assassinatos - tatuava os corpos das vítimas com o símbolo D.C.V.X.V.I. - foi preso e condenado. Passou 50 anos num manicômio; morreu aos 90 anos de idade,, em 1984.
Como conquistar uma mulher, que para um de seus apaixonados é a mais bela do mundo? Bem, para o galanteador Calímaco, o caminho mais seguro envolve um amigo malandro, um padre sem escrúpulos, a burrice e o dinheiro do marido da amada. Em síntese esta é a trama central de ‘‘A Mandrágora’’, peça escrita por Nicolau Maquiavel, em 1504.Em março acontece o tradicional Festival de Teatro. Em maio, será a vez do Festival de Cinema e Vídeo
Arquivo FolhaLeandro Knopfholz, criador e organizador do Festival de Teatro de Curitiba, que neste ano terá 19 espetáculos na mostra oficialZeca Corrêa Leite

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