Arquivo FolhaRua das Flores, ao entardecer: curitibano busca qualidade de vidaVivendo um momento de mudanças que ressalta suas deficiências, Curitiba chega às portas do ano 2000 com a preocupação de não ser mais apenas uma capital isolada, mas o pólo de uma região com a qual busca se integrar. É o projeto da ‘‘Grande Curitiba’’, ponto norteador dos discursos e projetos dos 26 prefeitos que estarão no comando da Região Metropolitana na virada do século.
‘‘Pensamos numa Curitiba sem fronteiras’’, diz o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da cidade (Ippuc), Osvaldo Navarro. A integração, cuja necessidade já foi percebida por gestões anteriores, avançou muito lentamente nos últimos anos.
Curitiba exportou problemas para muitos municípios vizinhos, que viraram cidades-dormitórios. Em contrapartida, ganhou meninos de rua vindos da Região Metropolitana e viu moradores de outros municípios aumentarem a demanda por serviços sociais oferecidos na capital.
Mas a troca, até agora, passou praticamente ao largo do planejamento conjunto. O único aspecto visível da integração está na área do transporte, com uma rede integrada que começou a ser implantada há dois anos e já abrange vários municípios.
‘‘A Grande Curitiba sofre muito pela falta de infra-estrutura’’, diz o professor Sérgio Pereira Lobo, diretor geral do campus da PUC em São José dos Pinhais, a cerca de 20 quilômetros da capital. Doutor em administração, Lobo acha que os governantes demoraram para se alertar para a necessidade de fortalecer os municípios metropolitanos.
‘‘São José, por exemplo, vai receber duas grandes montadoras (Renault e Audi) sem ter um plano de habitação, de saúde, de educação’’, critica. ‘‘Isso acaba levando tudo para Curitiba, onde os hospitais estão lotados, falta moradia e os engarrafamentos no trânsito são cada vez mais graves.’’
O presidente do Ippuc acha que os quatro anos da atual gestão municipal são suficientes para preparar a região para o novo milênio, no qual ela definirá um perfil industrial. Navarro informou que todos os 25 municípios da RM, além de Curitiba, estão revendo seus planos diretores, para adequá-los a uma visão nova e global da região, na qual vivem cerca de 2,5 milhões de habitantes, incluindo a capital.
‘‘A integração, que começou pelo transporte, vai abranger infra-estrutura, meio-ambiente, geração de empregos, política habitacional’’, afirma. Segundo Navarro, o planejamento global está baseado em três diretrizes básicas: geração de empregos, parceria com a comunidade e a iniciativa privada e manutenção da qualidade de vida.
A execução dessas diretrizes está expressa em 23 projetos definidos pelo Ippuc neste primeiro ano de gestão. Entre eles está, por exemplo, o ‘‘Linhão do Emprego’’, que pretende gerar 30 mil empregos, ao longo uma faixa de transmissão de energia que a Copel transferirá para a Prefeitura.
Outro projeto, o ‘‘Cidadão em Trânsito’’, pretende resolver um dos mais graves e crescentes problemas da cidade: os engarrafamentos. Através do ‘‘Saneamento Bairro a Bairro’’, a prefeitura promete melhorar os índices de saneamento básico na região. Hoje, segundo a Sanepar, apenas 51% da população de Curitiba e 41% da Região Metropolitana são servidos por rede de esgoto.
Há projetos ainda para readequar o zoneamento e uso do solo, melhorar a segurança da população e aperfeiçoar os programas voltados para crianças, adolescentes, portadores de deficiências e idosos. Tudo para tentar enfrentar um crescimento populacional que é superior à da média do Estado. Enquanto o crescimento da população do Paraná tem ficado em torno de 1,2%, segundo o IBGE, Curitiba tem crescido à média de 2,3% ao ano e a Região Metropolitana, em média 7% - números que fazem da região um enorme desafio.

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