CURITIBA GANHA ''ERA SÓ O QUE FALTAVA''
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de julho de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Músicos, poetas, artistas plásticos, gráficos, fotógrafos e outros mais voltados às artes e respectivos apreciadores estão convidados a bater ponto no Era Só o que Faltava, o mais novo centro cultural da cidade, que hoje abre suas portas com o show de Jards Macalé, Tamanho do Corpo, às 22 horas, somente para convidados. A abertura ao público acontece amanhã, com mais uma apresentação de Jards Macalé (veja matéria nessa página)
Mistura de point cultural, gastronômico e etílico, Era Só o que Faltava é definido pelo empresário Robert Taylor Amorim como um bar com serviço de restaurante logo na entrada tem a área interna da casa, depois vem o pátio para quem quiser petiscar e beber ao ar livre (ideal para os inimigos das indefectíveis nuvens de fumaça dos fumantes), com vista para um jardim primoroso que divide os fundos do terreno com um pequeno teatro.
É esse espaço, com capacidade para 100 pessoas sentadas, e com focos de luz já instalados, a estrela do endereço. Pelo menos para quem gosta da arte. Ali deverão rolar shows, recitais de poesia, performances teatrais, exibição de filmes, concertos, palestras. A tendência é de que a programação se amplie e intensifique de modo a serem agendados vários mini-cartazes a cada noite. Às seis poderá ter uma sessão de jazz e terminar a noite com seleção de curtas-metragens.
O mix gastronômico-cultural é um investimento de Odilon Merlin e Robert Taylor Amorim, nome pomposo demais para quem atende por Beto Batata. Eles ocuparam um antigo casarão da família Merlin, na Avenida República Argentina, 1334, onde em 1940 teve início comércio de construção, fizeram uma limpeza que encheu quatro caminhões de entulhos, construíram o que faltava e convidaram para gerenciar a casa o experiente Marquinho Amorim (ex-Snooker 21, durante oito anos, e um ano e meio de Café do Teatro).
Formado em Artes Cênicas, Odilon Merlin (proprietário da Temptation Discos) vai cuidar da agenda artística, dividindo a tarefa com Carla Venâncio. Depois de Jards Macalé, virão Maxixe Machine, de 20 a 22 e no dia 27, show com Saul do Trumpet, promovendo assim o lançamento do CD. Estamos fechando 28 e 29, avisa Carla.
Queremos ter aqui basicamente artistas de música brasileira; a nossa filosofia é de trabalhar com música nacional de todos os estilos, acrescenta Merlin. A intenção dos programadores é trabalhar com os muitos artistas que estão por aí e não conseguem espaço para se apresentar, pelos mais diversos motivos.
O quinteto de jovens chorões (Grupo Retratos)que toca no Bar e Espaço Cultural Beto Batata nos finais de semana deverá ter uma sessão fixa aos domingos no teatro da casa. Os músicos que se ressentem da falta de um lugar onde possam realmente formar uma roda de choro e serem ouvidos, finalmente poderão exercitar a arte da melhor forma.
Beto Amorin não quer misturar os canais os dois endereços estão em lados opostos da cidade, cada qual com sua feição. Mesmo assim a batata suíça estará no cardápio do bar, juntamente com os produtos da fábrica suíça Deli Alpi, que tem uma filial na Cidade Industrial de Curitiba. Faremos pratos de exclusividade nacional. Estou cuidando pessoalmente da criação das receitas na própria fábrica, comemora Beto.
Voltando às atividades culturais do local, o cozinheiro puxa a sardinha para sua brasa pensa em promover oficinas gastronômicas, como cursos rápidos de pães e coquetéis. Ou um inusitado acontecimento que ele confessa ser um de seus sonhos ter Paulinho da Viola ali, não para cantar seus sambas majestosos, mas para dar uma oficina de construção de cavaquinho.


