Curitiba discute história e idéias
Curitiba, mais uma vez, está incluída na rota do ciclo Brasil 500 Anos - A Outra Margem do Ocidente. O seminário, que representa a segunda fase do ciclo, acontecerá de 6 a 19 de abril, no Teatro da Federação Espírita do Paraná. Além de Curitiba, apenas Rio de Janeiro e Salvador estarão sediando o evento.
O ciclo teve início em agosto do ano passado, quando o seminário passou por Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Goiânia, debatendo o impacto do descobrimento do Brasil sobre o Velho Mundo.
A segunda fase irá discutir as questões indígenas, anteriores e posteriores ao descobrimento do Brasil. Entre outras importantes presenças, Curitiba receberá o professor francês Patrick Menget, que atua na Universidade de Paris. Ele fará a palestra Entre Memória e História.
Um dos mais aguardados debates do evento será comandado pelo fundador do Núcleo de Direitos Indígenas, Aílton Krenak, que falará sobre O Eterno Retorno do Encontro. Por sua atuação em defesa dos povos indígenas, ele recebeu os prêmios Lettelier - Moffit de Direitos Humanos (1988) e Homem e Sociedade (1990).
O presidente da Funarte, Márcio Souza, fará a palestra Narrativas Sem Palavras, que fala sobre o choque entre a cultura portuguesa e os povos indígenas, na época do descobrimento.
Eles queriam as Índias e encontraram o paraíso terrestre. Ainda assim se decepcionaram. Foram necessários trinta anos para que finalmente descobrissem uma finalidade econômica para aquele inesperado Éden. Eram dois mundos que estavam se chocando, mas ninguém percebia a extensão e a profundidade do fenômeno. Antes do choque histórico, o choque do reconhecimento de duas humanidades, provocando curiosidade, desconfiança, desafiando preconceitos, provocando o amor, explica.
O seminário contará ainda com a participação de Carlos Frederico Marés, Márcio Souza, Carlos Fausto, Peter Gow, Sérgio Cardoso, Leyla Perrone Moisés, John Manuel Monteiro e Olgária Martins.
Segundo o coordenador geral do ciclo Brasil 500 Anos - Experiência e Destino, o professor Adauto Novaes, as discussões não irão enfocar somente as sociedades indígenas da época, mas as reflexões que elas provocaram nos portugueses.
Os invasores europeus acabaram avaliando seus próprios costumes e suas leis. O Ocidente descobre coisas na politica, na cultura e nas artes que ele não conhecia, comenta o professor.
Ele afirma que o ciclo deve funcionar como uma oportunidade para discutir a atualidade, através do passado, provocando uma dinâmica. Não estamos interessados em contar simplesmente a história do passado. A pretexto dos 500 anos, colocamos em pauta temas relevantes que movimentam nossos dias, afirma.
A responsável pela Coordenadoria de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, que está promovendo o evento em Curitiba, Selise Niero, afirma que é um privilégio para a cidade receber personalidades nacionais e internacionais de tanto destaque. Este é o ciclo mais pensado, construído e elaborado das comemorações do Brasil 500 Anos, garante ela.
Ao todo, o seminário engloba quatro ciclos de conferências, que encerram no ano 2000. A terceira fase, que irá debater a questão dos negros brasileiros, e a quarta, ainda não têm data definida.





