Curitiba de 1930 nas imagens de Groff
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Nada mais apropriado para se reinaugurar um espaço dedicado ao cinema, que programar para o evento um filme que é um dos marcos da história paranaense. Isso é o que estará acontecendo hoje, às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som. O auditório Aramis Milarch foi inteiramente remodelado, e marcando a reabertura da sala será exibido Pátria Redimida, de João Baptista Groff.
É um trabalho histórico de um dos pioneiros do cinema paranaense. Rodado em meio à tensão da Revolução de 30, que levaria Getúlio Vargas ao poder - inaugurando a Era Vargas que terminaria 15 anos depois -, o filme mostra a importância de Curitiba no contexto da época.
Foi aqui que as tropas gaúchas estacionaram, para dar início à arrancada final contra os legalistas, que tentavam organizar a resistência em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará. Apoiado pelos militares, Vargas assume a presidência do País.
Câmara no frontJoão Baptista Groff, jornalista e empresário que reunia a fina flor da inteligência local, nas páginas da revista A Ilustração Paranaense de sua propriedade, sentiu o peso da história do momento e não deixou o bonde passar. Pegou carona nos acontecimentos.
Tendo como justificativa a complementação de um documentário, comprou uma farda, tomou um trem lotado de soldados e foi parar no front. A câmara que ele carregava foi confundida com uma arma. Ao receber voz de prisão não perdeu a ousadia e o sangue frio - registrou magistralmente a cena, segurando a máquina com uma das mãos.
Pátria Redimida encerra nos fotogramas o cotidiano de homens anônimos em território de batalha, detalhes engraçados como o soldado que queima a bunda na fogueira de chimarrão, o discurso de Getúlio Vargas no Palácio do Catete. Tem ainda cenas inéditas de Vargas na Paraíba, que foi palco de origem da revolução.
Para este documentário Groff contou com a colaboração do jornalista Assis Chateaubriand que lhe emprestou dinheiro para dar continuidade ao trabalho, e que, usando de sua influência, tirou o paranaense da cadeia.
Conjunto musicalRevivendo os tempos do cinema mudo, a sessão de Pátria Redimida terá a participação especial de um conjunto de música formado por Fábio Rodrigo Cardoso (piano), Paulo Demarc (percussão), Evandro Cardoso Manchinha (gaita ponto) e Julio Coelho (viola).
As imagens do filme receberão o som adicional dos instrumentistas, que tocarão números de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Carlos Gardel entre outros. A exibição especial terá entrada franca.
qPátria Redimida - de João Baptista Groff, no auditório Aramis Millarch do Museu da Imagem e do Som (Rua Barão do Rio Branco, 395). Hoje, às 19h. Entrada franca.


