Curitiba aguarda o terceiro sinal Zeca Corrêa Leite De Curitiba O 9º Festival de Teatro de Curitiba inicia hoje sua temporada, e nos bastidores o clima fica densamente elétrico, como se o ar estivesse imantado. Natural a nitroglicerina pura, mesmo com a boa educação prevalecendo de parte a parte. Pelo menos por enquanto. Mas de última hora pifa a impressora do computador da sala de imprensa e não tem quem possa transmitir o material por e-mail, noutro local fora do QG instalado num hotel. Os telefones vivem em constante congestionamento, ocupados por ligações que chegam de todo o Brasil. São Paulo e Rio, especialmente. Nessa sarabanda a assessora de imprensa Duca, consegue inexplicavelmente manter a calma. Curitiba já não mostra mais o mesmo frisson das primeiras edições do festival, quando um bando de artistas mais e menos famosos circulavam pelo hall do Hotel Araucária. Perdeu um pouco o ar de novidade, já não tem mais aqueles olhares curiosos e ávidos dos populares, em busca de seus ídolos. Mesmo assim, o que mais interessa são as salas cheias. A R$ 20,00 o ingresso, fica um pouco difícil acompanhar a mostra oficial. A saída é o fringe. O FTC mantém a aura e, como em todos os anos, aciona o mecanismo que dita a moda – muita gente coloca o teatro em sintonia apenas nestes dez dias. É produto de primeira necessidade, e vai parar além do último, vai para a área do esquecimento, mesmo, assim que a festa termina. Enfim, é um megaevento que mexe com o setor artístico. Estão sendo transportadas a Curitiba 250 toneladas de cenários, das mais diversas partes do País. Foram feitas 2.200 reservas pela produção do FTC em hotéis da cidade, que serão ocupadas no transcorrer do período. O staff do festival conta com 23 funcionários para a área de iluminação e 18 para cuidar do som, sem contabilizar aí os assistentes e os que chegam junto das companhias; nove camareiras. Para o Fringe foram destinados 500 refletores. Na mostra oficial esse número é quase três vezes maior: são 1.300. Os artistas contarão com o trabalho de 35 costureiras para cuidar dos figurinos, 18 contra-regras, 15 carros de apoio. Para som e iluminação a produção comprou 8 mil metros de fios.

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