Curioso poeta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de junho de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
O poeta José Rocha lança hoje à noite em Londrina ''A lua do meio-dia''. É o sexto livro da carreira de Rocha e o quinto de poemas. ''Há cinco anos não lançava uma obra individual e este livro reúne cerca de 150 poemas produzidos recentemente'', conta o escritor. Sociedade, meio ambiente e mulher são temas recorrentes na obra deste cearense de Fortaleza, radicado em Londrina desde o final do ano passado. José Rocha também é autor de ''Espelho Quebrado'' (seu primeiro livro, escrito em 1983, aos 23 anos), ''Batatas fritas ao sol'', ''Batatas fritas ao sol II'', ''O verbo por quem sofre de verborragia'' e ''Coração de Leão'' (crônicas). ''Os títulos dos meus livros geralmente saem dos versos de poemas que escrevi. Procuro frases diferentes que causem curiosidade no leitor'', explica.
O contato de José Rocha com as palavras começou cedo. Aos oito anos, durante um passeio de jipe com o tio pelos coqueiros de sua terra natal, disse que queria ser escritor. Aos 10, ''plagiava inocentemente Olavo Bilac'', aos 11, decorou poemas de Álvares de Azevedo. Na mesma época, leu Fernando Sabino, Mark Twain, Júlio Verne e José de Alencar. As primeiras histórias começaram a ser escritas aos 12 anos. ''Senti que queria viver disso na adolescência, quando comecei a ler Fernando Sabino e a poesia de Carlos Drummond de Andrade'', relembra. Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Ferreira Gullar, Fernando Pessoa e Baudelaire também influenciam a produção de José Rocha. A música é outra grande fonte de inspiração para o escritor. ''Presto muita atenção nas letras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção'', afirma.
Com uma produção prolífica, José Rocha escreveu textos para rádio, publicidade, peças de teatro e musicais. Em seu computador afirma possuir contos, livros infantis e novelas inéditos. Atualmente, dedica-se a dois projetos: um CD com poemas seus musicados pelo amigo e parceiro Juá de Casa Forte, - cujo título provisório é ''Comitiva'' e conta com a participação dos cantores Zé Terra e Kleber Albuquerque - e mais um livro de poemas, intitulado ''Todos os ventos da terra''.
Poema do livro 'A lua do meio-dia' de José Rocha
A lua do meio-dia
Não quero que ninguém me siga.
Não quero placas de indicação.
Pouco me importa o destino;
pouco a quilometragem.
Meu caminho é de pedra bruta,
de brasa e cianureto.
Não há de quem ter saudades.
Não há almas no farol.
Lauro morreu de tédio.
Luzia de solidão.
Martinho envenenado.
João na arquibancada.
Eu quero é ver o sol,
o forte sol da meia-noite,
a lua do meio-dia:
meu sol de éter e lodo,
lua de kriptonita.
Não quero que ninguém me siga.
Não quero.
Não quero ninguém.
(
SERVIÇO
- A lua do meio-dia
Autor - José Rocha
Editora - Casa do Novo Autor Editora
Páginas - 88
Quanto - R$ 33
Quando - Hoje, às 19h
Onde - Livrarias Porto, Shopping Catuaí, em Londrina
Mais informações - (43) 3294-8300


