CURIOSIDADE - Viola de metro
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sábado, 11 de setembro de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É improvável que exista outra viola maior no mundo. A que você vê na foto acima foi fabricada pelo maringaense João Sposito Neto, o João Viola, que a construiu para vê-la registrada no Livro dos Recordes.
A ambição não é despropositada. O luthier já recebeu um certificado da RankBrasil identificando sua invenção como o maior instrumento do gênero no Brasil. A RankBrasil, convém salientar, representa o Guinness Book no País. ''É o primeiro passo para alcançar meu objetivo. Quero entrar para a história'' diz.
Medindo 5,13 m de altura, a viola gigante está exposta na loja Sonkey Video Som, em Londrina. Para mostrar que ela pode ser tocada como qualquer similar de tamanho tradicional, João convidou o violeiro maringaense Paulo Santana para retesar suas dez cordas durante um pocket-show no local. A apresentação está marcada para o próximo dia 18, às 10 horas.
O luthier lembra que a performance exige uma haste de apoio e utilização de luvas especiais, já que é tocada com as mãos em vez dos dedos. ''A afinação de viola é complicada. Tive que encomendar cordas da Alemanha'' revela. Após o show-demonstração na loja, a viola será transferida para a Biblioteca Ramal da Região Norte, onde ficará exposta até o fim do mês. No dia 30, último dia de visita do público, haverá outro show.
Em novembro, João levará a viola gigante para um festival de violeiros em Belo Horizonte (MG). Feliz da vida com a divulgação de sua peça, ele conta que trabalhou sozinho e demorou seis meses para concluir a obra. ''É que dividi o tempo com a construção de outras violas. Mas eu marquei tudo enquanto ia trabalhando: em cima dela, gastei 300 horas de atividades, totalizando 25 dias de dedicação exclusiva'' contabiliza.
Para construí-la, o luthier utilizou os mesmos materiais usados na fabricação das violas convencionais, tais como a cacheta, a peroba rosa, as tarraxas, os trastos e as cordas em aço alemão. Correu atrás de patrocínio, mas não obteve qualquer ajuda. Investiu 27 mil reais do próprio bolso no projeto. Hoje com 43 anos, ele lembra que começou a fabricar violas quando ainda usava calças curtas.
''Construí a primeira viola aos 8 anos de idade'' conta. ''De lá para cá, não parei. É coisa de sangue, porque meu avô (João Possenti) fabricava violinos de forma artesanal. O que sei é que sempre gostei do som da viola. E acho que esse som ficou gravado na minha cabeça. Aprendi tudo sozinho. Nunca visitei um luthier. Não tenho a menor idéia de como eles fazem. Aliás, os luthiers é que me procuram''.
Apesar da vocação precoce, João assumiu o ofício de luthier há 10 anos. Antes, dividia a profissão com outras tarefas ganhando a vida como desenhista industrial, entalhador, projetista, decorador e cartazista de cinema. Mantendo a oficina nos fundos de sua casa, ele fabrica também violão, bandolim e craviola. A exemplo do avô, João trabalha com encomendas exclusivas. ''Não tenho instrumento repetido, nenhuma viola é igual à outra. Faço de acordo com o pedido, respeitando a personalidade do músico'' sublinha.
Requisitado, ele atende encomendas de violeiros de renome nacional como Almir Sater, Roberto Corrêa, Badia Medeiros e Braz da Viola. ''Sou muito procurado também pelos músicos de Londrina. Deve ter uns 300 instrumentos fabricados por mim nessa cidade'' afirma. Quem quiser saber mais sobre ele, vale dar espiada em seu site www.joaoviola.com.br. Quem quiser arregalar os olhos, vale dar uma conferida na viola gigante exposta na Sonkey, que fica na Rua Souza Naves, nº 9, no Centro de Londrina.
Hoje excepcionalemnte, deixamos de publicar a coluna Leitura, de Marcos Losnak.


