A História da humanidade apresenta algumas coisas curiosas, no campo cultural. Raramente se percebe em filhos, irmãos, parentes, o gênio percebido no ancestral. Caso típico é o do maior poeta (assim pode-se também chamá-lo), William Shakespeare. Seus filhos não produziram nada. Nem netos.
Mas há curiosas exceções. Talvez a maior delas sejam as irmãs Bronte. Britânicas, as três legaram ao mundo, cada uma delas, obras primas imortais. Charlotte deixou ''Jane Eyre''. Anne, a menos famosa, escreveu ''Jane Grey'' e ''O morador de Wildfeld Hall''. E Emily deixou o imortal ''O morro dos ventos uivantes''.
Há outros casos. Os Dumas, pai e filho, escreveram. Um deixou a saga dos mosqueteiros, o outro nos legou ''A Dama das Camélias''. E não se pode esquecer os Strauss, também pai e filho, que legaram maravilhosas obras musicais.
Por aqui, há, especialmente na TV, cinema e teatro, muitas famílias de artistas. Infelizmente, a maioria não é movida pelo talento mas pelo nepotismo. O primeiro é bom, daí leva os irmãos, filhos, primos, agregados. Como o negócio, em certos casos, é massivo, acabam ficando. Há casos de talento, como os da família Gabus Mendes. O pai, Octávio, era um gênio, no rádio, o filho, Cassiano, brilhou como autor. Os netos vão bem, especialmente Cássio.
Entretanto, o que se quer, agora, é destacar duas famílias, com o mesmo nome, que brilham com talento e força. Uma têm no tronco um dos maiores nomes da TV e cinema brasileiros: Lima Duarte. Começou no rádio, nas Associadas, em rádio-teatro. Migrou para a TV no início da TV Tupi. Fez tudo. Curiosamente, só explodiu na Globo, quando fez o ''Zeca Diabo'', em ''O bem amado''. Queriam até dar-lhe o prêmio de revelação!. De então em diante, só fez crescer em talento e capacidade, sendo hoje uma das unanimidades nacionais no meio artístico.
Lima nos deu, também, Débora. Nunca foi um ícone sexual. Mas é uma excepcional e sensível atriz. Vê-la e acompanhar seus desempenhos é um prêmio para o espectador. Firme em sua posturas, vive cada personaagem com incrível competência. Qualquer obra em que se saiba que Débora está é garantia de que, pelo menos, ela vai dar uma interpretação fulgurante.
E Débora, além de tudo, deu ao cinema e à TV, Paloma. Jovem, já é possível prever que superará a mãe. É excelente, coloca em cada papel a própria vida. Simples, como incumbe a qualquer grande atriz, encarna o papel e passa ao público uma imagem de firmeza e graça.
As outras Duarte são só duas. A família surgiu com a campineira Regina, que encantou pela graça e pelo talento. Linda, tornou-se em certa fase a ''namoradinha do Brasil''. Talentosa, superou esta fase e se consagrou como fantástica atriz. Quem esquece a ''Porcina'', de ''Roque Santeiro''? Novela em que, aliás, ela atuou ao lado de Lima Duarte.
Além disto, Regina deu-nos Gabriela, outro talento. Brilha na TV, fez uma fabulosa Chiquinha Gonzaga jovem que foi depois interpretada pela mãe, na sequência. E mais darão, porque o talento dos 5, felizmente, só faz crescer.
Ah, sim, tudo isto surgiu porque foi divulgada a notícia de que Regina acaba de lançar, no Teatro Sesc, em Santo André, a peça ''Coração Bazar'', elaborada por ela e pelo diretor José Possi Neto. Quem sabe, chega até aqui!

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