O 11º andar do Edifício Julio Fuganti, durante alguns intensos anos, foi o endereço das artes e da cultura em Londrina. O grupo teatral Proteu, reconhecido nacional e internacionalmente, nasceu ali, assim como a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina e os coros - o infantil Os Piás, e o adulto, que conquistou o 1º lugar em um concurso nacional no Rio de Janeiro em 1980, além de gravar dois discos de vinil.
Na década de 1970, o espaço foi um caldeirão de cultura, que fervia nas mãos e mentes de gente como Nitis Jacon, Othônio Benvenuto, Carlos Eduardo Lourenço Jorge, Luci Schimiti, Yara Strobel, Mimi Luck e muitos outros nomes que foram e continuam sendo personagens essenciais do cenário cultural da cidade.
É esse espaço que o reitor da UEL, Wilmar Marçal, reinaugura hoje, às 14h30. Interditado desde dezembro de 2007 devido a problemas estruturais, o imóvel passou por uma reforma, feita com mão de obra e recursos da própria universidade, e receberá o nome de Espaço Cultural Romolo Veronesi.
Ocupado pela Casa de Cultura da UEL desde 1973 em regime de comodato, o espaço passou a ser da UEL depois que o Clube Ítalo-Brasileiro, representado por Grazia Veronese, viúva de Romolo, doou o imóvel à instituição, em setembro de 2006. ''O próprio edifício foi projetado pelo Romolo Veronese. Ele só não assinou, mas é o criador'', destaca a artista plástica Iara Strobel, que veio a Londrina justamente para integrar a então Coordenadoria de Ações Culturais (CAC) da universidade.
Iara relembra que naqueles cerca de 700 metros quadrados eram realizados ensaios de coros, instrumentos e de teatro, dividindo espaço com as sessões de cinema, saraus e com exposições de artes plásticas nas paredes. ''Foi lá que realizamos o Salão Londrinense de Arte, o Salão de Arte Religiosa Brasileira, além de exposições temporárias, não só do acervo da UEL como abertas a outros artistas'', rememora.
Lá também havia exibições de filmes em 16mm, em uma cabine que seria o embrião da sala alternativa de cinema (papel hoje ocupado pelo cine Com-Tour/UEL), e os cursos e ciclos realizados pela Associação Londrinense de Cinema Amador. ''Foi um período de muita criatividade, uma primavera da cultura em Londrina. Apesar do inconveniente de ser no 11º andar de um prédio comercial, as produções eram intensas, o processo criativo estava lá dentro'', analisa Carlos Eduardo Lourenço Jorge, diretor da Casa de Cultura entre 1979 e 1991 e atual chefe da divisão de Cinema.
Já a orquestra começou como um movimento instrumental junto ao coral, formado por coralistas que tocavam algum instrumento. ''Depois, o maestro Benvenuto pegou pessoas da comunidade e o próprio coral e foi orientando essas pessoas em uma espécie de mutirão: quem sabia mais ia ensinando os outros, em um trabalho voluntário. E as pessoas se dedicavam a aprender vislumbrando a possibilidade de um dia surgir a orquestra'', descreve Oséas Peçanha do Nascimento, violinista que participou da criação da Osuel.
Com tanta produção, o espaço logo ficou pequeno. Quando a UEL adquiriu o então cine-teatro Ouro Verde, em 1978, a divisão de cinema mudou-se para lá. Mais tarde, a orquestra passou a ensaiar em espaços alternativos, como na antiga selaria Estrela (onde posteriormente foi construído o Pronto-Atendimento Infantil). A administração da Casa de Cultura ganhou outras sedes, mas o espaço continuou sendo utilizado para as artes.
Na época da interdição, apenas uma parte da Divisão de Música utilizava o espaço devido às condições precárias, com infiltrações e problemas nas instalações elétricas, entre outros. Agora, ainda não há uma definição sobre a sua utilização. Nas próximas semanas, a Casa de Cultura deve enviar uma proposta de ocupação para a reitoria. ''É muito importante continuar mantendo esse imóvel como espaço cultural e preservá-lo como patrimônio cultural da cidade'', enfatiza Iara Strobel.

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