CULTURA, UM NEGÓCIO RENTÁVEL
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de fevereiro de 2001
Francelino França De Londrina 
Nesse início de ano, empreendedores culturais de várias cidades paranaenses se desdobram no encalço de patrocinadores para projetos aprovados nas Leis Municipais de Incentivo à Cultura. A temporada de caça teve início com o pagamento de IPTU. Cerca de 20 municípios do Paraná possuem esse mecanismo de incentivo às produções culturais, cada qual com suas particularidades.
Os patrocinadores do setor são participantes diretos do processo cultural. A Folha2 ouviu alguns empresários em Londrina e Curitiba que, via de regra, acompanham de perto a vida cultural de suas cidades, estando antenados com o processo de facilitação do acesso à cultura. Por trás dos investimentos, existem propostas sólidas de estruturar a cultura como ponte para inserção social. Dessa forma, os investimentos transcendem os papéis culturais.
A repercussão do marketing institucional, a contribuição para o desenvolvimento cultural da cidade e o interesse pessoal são as principais causas apontadas pelos empresários para canalizar parte dos recursos dos impostos para projetos culturais. Muitos patrocinadores dedicam parte de suas verbas a projetos de artistas iniciantes.
Diante da nova economia redesenhada pela globalização, as empresas que se dedicam à inserção na comunidade se destacam. Outro fator em que os patrocinadores concordam é sobre o destino do dinheiro. Em tempos de denúncias de desvios de valores estratosféricos de verbas públicas, sabe-se o destino de pelo menos parte dos impostos.
As pessoas físicas que contribuem anualmente com pequenos valores de IPTU fazem a diferença no montante final. O trabalho de formiga em que amigos, familiares e vizinhos contribuem para a oxigenação da vida cultural é de importância capital.
Na atual temporada de cortes de verbas para diminuir os gastos públicos, a Cultura não entra na lista de prioridades, sendo um dos setores mais atingidos. Com o mecanismo da Lei, pode-se preservar, pelo menos, um mínimo para o incentivo de propostas importantes.
Como o interesse de arrecadação é dos empreendedores culturais, geralmente, eles fazem a parte burocrática para os patrocinadores, depositando na conta do projeto valor referente ao imposto e levando à Secretaria Municipal de Cultura o comprovante para pegar o certificado e a nova guia com desconto.
A Lei Municipal de Cultura serve apenas como forma de incentivo. Outras modalidades precisam ser apontadas. Em Londrina, a Funcart (Fundação Cultural Artística), desde 1997, mantém a campanha Dar É Uma Questão de Impulso. Um convênio entre a Funcart e a Sercomtel, que autoriza o débito em conta telefônica para doações a partir de R$ 1,00 por mês. A média de arrecadação mensal supera os R$ 2.500,00. Outras formas de captação de recursos estão sendo estudadas pela instituição.
Veja a seguir, os motivos que levaram alguns empreendedores a investir na Cultura.


