MANIFESTAÇÕES -

Cultura: um ano marcado pela resistência

Apesar da crise sofrida pelo setor cultural em todo o país, grandes festivais londrinenses agitaram a cena local em 2019

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

Duas semanas antes de ter a música “O Real Resiste” censurada e retirada da programação da TV Brasil, Arnaldo Antunes havia sido ovacionado em cena aberta quando cantou a canção em Londrina. A plateia que lotou o Teatro Ouro Verde no show que o ex-Titãs fez no final de novembro pelo projeto Circulasons aplaudiu fervorosamente a composição que retrata e critica o atual cenário brasileiro. A manifestação do público que contou com gritos e assovios soou como uma catarse diante do difícil ano que o setor cultural brasileiro enfrentou em 2019. Mas apesar da falta de apoio financeiro do poder público e de protestos conservadores a classe artística agitou a cidade com diversos relevantes espetáculos, grande parte deles marcada pelo tom de resistência.  


Arnaldo Antunes cantou 'O Real Existe' em Londrina e foi aplaudido em pé: clipe da música foi censurado pelo governo federal na TV Brasil
Arnaldo Antunes cantou 'O Real Existe' em Londrina e foi aplaudido em pé: clipe da música foi censurado pelo governo federal na TV Brasil | Divulgação
 


Prestes a celebrar quatro décadas de existência, o Festival Internacional de Música de Londrina (Fiml) encheu de música a cidade promovendo oficinas, concertos, recitais e shows que movimentaram os londrinenses durante os dias 9 e 25 de junho. A programação contou com importantes nomes da música instrumental do Brasil e do exterior, incluindo o renomado maestro Nelson Freire, responsável pelo concerto de abertura do evento.  



 

A 50ª edição do Filo que seria comemorada no ano passado e foi adiada por falta de apoio financeiro do setor governamental aconteceu em duas etapas. A primeira delas foi realizada entre os dias 15 de agosto a 1º de setembro e teve como destaque o retorno do Proteu, que lotou o Teatro Ouro Verde na abertura do evento. O pioneiro grupo teatral londrinense responsável por inserir a cidade no roteiro internacional de artes cênicas retornou ao palco com o espetáculo “Tango”, que marcou o fim de um hiato de 20 anos longe da ribalta.  


Manifestação em favor do Hugo Simas resultou num grande abraço simbólico ao colégio que foi ameaçado de censura pela apresentação da peça 'Quando Quebra Queima' que integrou o FILO 2019
Manifestação em favor do Hugo Simas resultou num grande abraço simbólico ao colégio que foi ameaçado de censura pela apresentação da peça 'Quando Quebra Queima' que integrou o FILO 2019 | Marcos Zanutto/ Arquivo Folha 12-11-2019
 


Intitulada Mostra Nacional de Artes Cênicas, a segunda fase do Filo aconteceu entre 24 de outubro e 5 de novembro e causou uma grande polêmica. A apresentação do espetáculo “Quando Quebra Queima” encenado no Colégio Hugo Simas pelo Coletivo Ocupação (SP) causou revolta de um grupo de mães, que registrou um boletim de ocorrência no Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente) alegando que a peça teria incitado a violência e a depredação do patrimônio público. Em defesa da liberdade de expressão, centenas de manifestantes favoráveis ao espetáculo realizaram um abraço simbólico no colégio dias após o início do imbróglio. 


O Festival de Dança de Londrina chegou com força total à sua 17ª edição. Quatorze espetáculos de dança, performance e teatro, incluindo três companhias internacionais (França, Irã/França e Itália) agitaram a cena local entre 3 e 13 de outubro. Seguindo o tema Potências Incendiárias adotado pela curadoria do evento, as apresentações reafirmaram a urgência da arte como lugar de reconquista da empatia, do diálogo, do respeito, da liberdade de expressão e das garantias democráticas. Premiadas companhias como Quasar Cia de Dança (GO) e Balé Teatro Guaíra fizeram parte da programação, que teve como um dos pontos altos a performance solo do bailarino Mehdi Farajpour, da Oriantheatre Dance Company (Irã/França), na apresentação de “KA-F-KA”.  


Eugenio Barba: nome emblemático do teatro contemporâneo voltou à cidade para o Festival de Dança
Eugenio Barba: nome emblemático do teatro contemporâneo voltou à cidade para o Festival de Dança | Fábio Alcover e Mariana Hertel/ Divulgação
 




Numa programação extensiva que celebrou o aniversário de 85 de Londrina, o Festival de Dança presenteou a cidade na primeira quinzena de dezembro cidade com vários espetáculos. Entre eles o marcante retorno a Londrina do lendário grupo dinamarquês Odin Teatret.  

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