Cultura popular no Zerão
O Zerão, área verde próxima ao Lago Igapó em Londrina, se transforma hoje num espaço para manifestações populares. A Cia. Folclórica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) traz para a Mostra Regional/Nacional e Universitária do FILO dois espetáculos que tratam da cultura popular através do teatro, dança, música e bonecos.
A companhia é projeto de um grupo que concilia o trabalho acadêmico de pesquisa de campo a montagens artísticas. A diretora Eleonora Gabriel disse, em entrevista à Folha2, que trata-se de um grupo de dançarinos e músicos - formado por professores, funcionários e alunos da UFRJ - que percorre as comunidades para aprender e compactuar com as culturas locais. São 22 pessoas que unem em seu trabalho a pesquisa, a dança, a música e o ato de representar. Tudo para transformar o folclore em movimento.
O primeiro projeto da companhia, que foi criada há 12 anos, foi o Memória Cultural do Rio de Janeiro. Percorremos várias cidades do Estado para fazer pesquisas. A partir disso, montamos o musical Rio Janeirices, um espetáculo formado por vários quadros independentes compostos com base em folguedos, mitos, simpatias, cantigas de roda e de ninar, relata.
Nesta montagem, o público londrinense vai conhecer as cirandas de Parati (sapateados com tamanco de madeira), Boi Pintadinho, Mineiro Pau (dança de bastões que acompanha o Boi), jongo (dança de atabaques com vários pontos de desafio), caxambu (pesquisado na cidade do Rio de Janeiro e no Norte do Estado), Iemanjá, Folia de Reis carioca e, como não poderia faltar, um pouco da história do Carnaval carioca (com direito a maxixe e ao tradicional sambão - ou samba de bateria). Tem a formação da bateria, mestre-sala e porta-bandeira, e vários outros personagens como Pierrô e Colombina, a boneca morta-viva, etc, conta.
Depois do espetáculo montado, a Cia. Folclórica percorreu vários Estados brasileiros, além de países como Colômbia e Argentina, tornando a realizar as pesquisas de campo. Deste trabalho nasceu a montagem Brasileirices, também baseada no folclore de cada localidade. Pegamos um pedacinho de cada lugar visitado: cirandas, frevo, carimbó, cantigas de roda, entre outros.
Este espetáculo convida a platéia a participar do universo folclórico do Brasil através da dança e cantoria, de bonecos, lendas e muitas histórias. As duas montagens têm como narrador um boneco de 1,60 metro, manipulado pela própria diretora.
Segundo Eleonora Gabriel, os espetáculos agradam tanto às crianças como aos adultos. A criançada adora, fica fascinada. Os adultos também curtem muito, porque se identificam rapidamente com a cultura popular, avisa.
O projeto da Cia. Folclórica, na opinião de Eleonora Gabriel, é infinito. Ele começou em 88 e não tem por que parar, avalia. A não ser pela dificuldade de manter o grupo. Trata-se de um projeto de uma universidade federal... Estamos correndo sempre atrás da possibilidade de continuar existindo, lamenta.
Em Londrina, a Cia. do Folclore fará duas apresentações. O público do Zerão vai conferir um apanhado geral de todo o trabalho da trupe em 50 minutos de Brasileirices. Amanhã, a companhia apresenta no Cine-Teatro Ouro Verde, na íntegra, o espetáculo Rio Janeirices.DivulgaçãoCia. Folclórica da UFRJ: dança, música e teatro num trabalho mostrado em todo PaísJackeline Seglin





