CULTURA POPULAR - Vivências afro-brasileiras e indígenas
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terça-feira, 27 de outubro de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Escolas municipais de Londrina e região têm a oportunidade de participar de uma imersão na cultura e tradição popular brasileira, com ênfase na afro-brasileira e indígena. Brincadeiras de roda, folclóricas, contato com vários instrumentos como berimbau, caxixi, pandeiro e atabaque fazem parte da experiência no Projeto "A Escola no Ponto - Vivências Culturais Afro-brasileiras e Indígenas", promovido pela Casa da Vila, espaço dedicado a prática e a pesquisa das tradições populares no município de Londrina desde 2006, fruto do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Capoeira Angola Forte Santo Antônio a partir do ano 2000. Depois de se organizar em torno do Instituto Cidadania, foi contemplado pelo edital Pontos de Memória, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
No último mês, alunos do quinto ano da Escola Municipal Odilon Gonçalves Nocetti visitaram o local por meio do Programa Folha Cidadania, que visa incentivar a leitura entre crianças e adolescentes às escolas integrantes do projeto.
O espaço fica localizado na região central de Londrina, numa casa de madeira, onde são realizadas as oficinas e palestras. Quando chegam ao local, as crianças são guiadas pelos educadores, que iniciam a visita explicando os objetivos e funcionamento da casa. "Aqui no espaço, seguimos os fundamentos do Mestre João Pequeno de Pastinha, de Salvador. Seus ensinamentos foram passados para outros mestres que vieram a Londrina. Um dos mais antigos daqui é o Mestre Lampião, que ajudou a propagar essa cultura tão rica. Hoje, nossa ideia é continuar semeando e divulgando na cidade esses ensinamentos, pois, tanto a capoeira, quanto toda essa cultura, não se aprendem só nos livros, mas vivendo-as", explica o educador Danilo Lagoeiro.
As vivências, segundo ele, são organizadas com base nos referenciais curriculares e nas leis 10.639/03 e 11.645/08, que preveem a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas. "Nas escolas, contudo, não há abertura completa para abordagem desse conteúdo. Aqui no espaço, eles podem presenciar tudo isso pelas experiências em educação formal e informal, ter contato com várias atividades lúdicas, a montagem e manuseio dos instrumentos e, ainda, aquisição de conhecimento por meio de nosso acervo." O projeto atende cerca de 20 turmas ao longo do ano letivo, contemplando alunos do 5º ano do ensino fundamental de escolas de Londrina e região.
Depois de uma breve explanação sobre o funcionamento da casa e os princípios da capoeira, os alunos aprenderam brincadeiras como coco e jombo, e movimentos básicos que compõem uma roda de capoeira. Em seguida, tiveram contato com os instrumentos. "O berimbau tem três toques: sem encostar a pedra no arame, encostando levemente e com a pedra pressionada. A combinação entre os três toques dá ritmo à música, que, geralmente, é composta de uma pergunta e o grupo responde, ou a ladainha, em que a pessoa canta sozinha", explica o educador Rafael Rosa que, logo após, testa com as crianças o que foi apresentado. Tudo acaba numa grande brincadeira, com direito a roda de samba, gingado e música.
Professoras do 5º ano, Marta Gomes e Geise Dias comentam que desde o início do ano letivo são trabalhados pontos da cultura afro-brasileira e indígena com os alunos, sobretudo no debate do respeito às diferenças. "Isso ocorre em todas as disciplinas, nas quais abordamos os jogos e brincadeiras dessas culturas, culinária típica, vocabulário, artesanato, enfim, como tudo isso foi incorporado e está presente na cultura brasileira. Para tanto, fizeram produção de texto, mexeram com argila, pintaram, produziram máscaras. Muitas outras coisas conseguiram ter contato aqui, como os instrumentos da capoeira, por exemplo. Com certeza, o que passa pelo corpo deles ganha um significado ainda maior", destacam.
Outras linguagens
Apesar de ter como eixo principal a capoeira de angola, os educadores dizem que o espaço agrega várias linguagens artísticas e culturais relacionadas à cultura brasileira. "Além dos treinos de capoeira, realizamos oficinas de artes manuais, como crochê e fuxico, além de música, com as rodas de choro e samba." As aulas de capoeira e a roda, conforme eles, são atividades permanentes e garantem a construção de um trabalho de contínua formação. "Vale destacar, também, que pelo contato com a capoeira muitas pessoas desenvolveram suas habilidades e potenciais em torno de práticas ligadas à cultura popular brasileira. Um desses exemplos é o Grupo de Bumba meu Boi Estrela da Vila que reúne em seus integrantes muitas pessoas ligadas à capoeira", destaca Lagoeiro.


