CULTURA POPULAR - Enriquecendo e valorizando manifestações folclóricas
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Amanhã comemora-se o Dia do Folclore e, em Londrina, a tradição da cultura popular do Brasil ganhou novos admiradores e adeptos. Nos dias 9 e 10 de agosto, 60 alunos da quarta série do Ensino Fundamental da Escola Municipal Prof Maria Irene Vicentini Theodoro, do Jardim Califórnia, participaram gratuitamente da Oficina de Danças Folclóricas Brasileiras com um dos maiores expoentes da cultura popular brasileira, no País e exterior, o mestre Tião Carvalho.
Nascido em Cururupu (Maranhão), Carvalho mudou-se para São Paulo no início da década de 80. Na sua bagagem, além do xote e baião, trouxe também os ritmos e danças do bumba-meu-boi, coco, cacuriá, tambor de crioula e uma sensibilidade diferenciada que o fez poeta, compositor e cantador. Desde 2000 faz shows e oficinas em Londrina e já participou de eventos musicais na Europa e nos Estados Unidos.
Ao ritmo das batucadas, as crianças se divertiram com os sambas de roda e o cacuriá. Acompanhando os versos entoados por Tião Carvalho, aprenderam que na linguagem simples do cancioneiro popular se esconde uma rica diversidade cultural que precisa ser preservada.
Ainda um pouco tímidos, os alunos demonstraram uma certa resistência nos primeiros passos de dança, mas logo entraram no espírito espontâneo da brincadeira e conseguiram se soltar e aproveitar o prazer da vivência que é diferente da maioria das brincadeiras que as crianças que moram nas cidades costumam conhecer. O tempo todo Tião Carvalho lembrava os alunos que o importante era se soltar e achar a maneira própria de expressar com o corpo as reações que os mais diferentes ritmos provocam. ''Todo mundo que sabe andar, sabe dançar, e todo mundo que sabe falar, sabe cantar'', destacava o músico.
No final, com a ajuda do cavaquinho, todas as crianças cantaram com ele a música ''Sambalelê'', que elas sabiam de cor. Felizmente, uma boa prova que, de certa forma, a cultura popular resiste e ainda está registrada na memória das nossas crianças.
As professoras Lissandra Marques Martins Romagnolli e Inês Donizeti Costa Silva também participaram da oficina e se entusiasmaram com o trabalho. ''É tudo muito interessante. Na verdade, um resgate das danças e brincadeiras antigas, que considero mais sadias que as atuais'', comentou Lissandra. ''Está sendo maravilhoso para nós e as crianças ter essa vivência. Por mais que a gente trabalhe o folclore na sala de aula não é a mesma coisa que conhecer isso na prática'', acrescentou Inês.
As duas professoras afirmaram que a oficina vai contribuir para o enriquecimento das aulas. ''Há uns 15 anos, quando eu ainda morava no sítio, eu acreditava em lobisomen, saci-pererê, e era um medo gostoso. Agora, a gente resgata essas histórias com as crianças de uma forma mais realistas, explicando que essas coisas não existem, mas mostrando o quanto os antigos avreditavam nisso'', disse a professora Inês.
''A oficina também foi uma forma de fazer as crianças largarem um pouco a televisão e os brinquedos eletrônicos. É um trabalho muito criativo e que exige uma boa atividade física'', pontuou Lissandra.
No bate-papo realizado junto com as crianças e as professoras, no final da oficina, Tião Carvalho salientou que muitas vezes os episódios de reações agressivas entre os alunos na escola demonstram que há energias concentradas que precisam sair para fora de alguma forma. ''E essa energia acumulada pode ser canalizada de uma forma divertida para a cultura popular.''
Durante a entrevista, ele considerou que as manifestações da cultura popular brasileira favorecem uma identidade original maior, fugindo da pasteurização que muitas vezes a televisão e a nossa sociedade - ''bastante influenciada por conceitos norte-americanos e capitalistas'' - acabam por impor. ''Hoje as novelas ditam padrões de vida, beleza e comportamento e acabamos nos sentindo fracos diante dessas influências se não tivermos uma boa relação com a nossa cultura popular, com as nossas raízes'', ponderou.
Porta-voz da cultura popular, Carvalho abordou que ultimamente estamos vivendo um saudável processo de abertura à cultura popular e defende que o folclore seja vivenciado como um todo. ''O ideal é que os brasileiros conheçam mais o Brasil. Também precisamos desmistificar a idéia que temos de folclore. Há pouco mais de dez anos não se ouvia falar de assaí, cupuaçu, ou graviola, por exemplo. Agora, todo mundo conhece e aprecia essas frutas.''
A oficina foi uma realização da Vila Cultural AlmA Brasil, que fica na Rua Mar del Plata, 93 (próxima do posto de saúde da Vila Brasil), com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Para esta sexta-feira está prevista uma grande roda de samba, além de teatro de mamulengo e bumba-meu-boi, na Escola Municipal Prof Maria Irene Vicentini Theodoro. Mais informações sobre a agenda de atividades da AlmA Brasil pelo telefone (43) 3326-2672 ou pelo e-mail [email protected]. As escolas podem agendar visitas e oficinas.


