Depois de um último ano marcado pela polêmica da extinção do seu corpo de baile profissional, a Fundação Cultural de Ibiporã entra em 2005 sob nova administração e com promessas de retomadas de projetos. O que não livrou a cultura de cortes.
Uma das primeiras medidas da nova diretora-presidente da Fundação, Sandra Moya, ao assumir o cargo foi enxugar o quadro e diminuir o número de responsáveis pelas coordenadorias artísticas (dança, música, artes cênicas e artes plásticas). A própria Sandra Moya dividirá as funções com a diretora pedagógica Daniela Buzeti e o diretor de eventos Júlio Dutra.
No início do ano passado, com a extinção do corpo de baile da Fundação Cultural depois de 10 anos de atividade profissional, sete bailarinos foram dispensados. A atual diretora informa que o projeto será retomado. ''A Escola de Dança tem uma turma de alunos que deverá ser levada, mais tarde, para o corpo de baile. Vamos dar uns seis meses para avaliar a situação e encaminhá-los à profissionalização. Também queremos conversar com os bailarinos que formavam o corpo de baile e verificar o interesse deles em estar de volta.''
Quanto aos cortes de pessoal realizados no início da gestão, a diretora justifica que a Fundação tinha um grande número de funcionários com uma carga horária pequena e que foram dispensados. ''Readequamos os horários dos concursados. Mas nenhum projeto vai ser prejudicado por causa disso e alguns até serão retomados''. A diretora diz que a Fundação vai trabalhar em parceria com a pasta da Educação, cujo quadro destaca professores com especialização na área cultural.
Formada em Educação Física e Pedagogia, com especialização em dança, Sandra Moya já foi coordenadora da Escola de Dança, do Corpo de Baile e de outros projetos da área na Fundação Cultural durante 10 anos (de 1989 e 1999). Também foi madrinha da primeira turma da Escola do Balé Bolshoi de Joinville, em 1999, e ainda participa das avaliações de alunos da instituição.
A nova administração terá medidas de urgência a tomar. Uma delas é a reforma do Cine Teatro Padre José Zanelli. Construído em 1988, com capacidade para 505 pessoas, o espaço físico apresenta problemas, como goteiras. ''Não tenho previsão, mas até o final do ano preciso resolver esse problema. O Cine Teatro precisa da reforma. O espaço ficou assim por falta de manutenção''.
Alguns cursos desenvolvidos na Fundação Cultural serão mantidos e outros retomados, informa Sandra Moya. A Escola de Dança continuará a oferecer aulas de balé clássico e jazz. Atualmente, são 110 alunos em sete turmas de alunos de 5 a 19 anos. ''A maioria é bolsista. Queremos ampliar mais uma turma este ano'', antecipa.
A retomada do projeto de musicalização ''Canto nas Escolas'' será outra medida da diretoria para este ano, com capacitação dos professores e compra de equipamentos. Também deve ser resgatado o ''Projeto Ecos'', que trabalha nos bairros a busca de novos talentos. As oficinas (dança, música, artes plásticas e cênicas) são realizadas durante três meses em cada bairro. ''Ao final, os destaques são convidados a participar como bolsistas dos cursos'', explica.
A Fundação Cultural oferece cursos de música (através de bolsas e mensalidades) em várias modalidades e de teatro infanto-juvenil (gratuito). O objetivo é criar outros, como teatro infantil e adulto, desenho e produção literária. O antigo espaço da biblioteca da cidade será destinado a essas atividades. Os projetos da diretoria se estendem para a área de eventos, em parceria com a iniciativa privada. ''Queremos fazer a extensão de eventos como os festivais de música e teatro de Londrina'', exemplifica.
A Fundação Cultural de Ibiporã tem um orçamento anual de R$ 470 mil, com repasses mensais da prefeitura. A diretoria vai buscar ainda parcerias com a Secretaria de Estado da Cultura e o Governo Federal.

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