Cultura negra em destaque
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A cultura afro, lembrada quase que exclusivamente em datas temáticas em Londrina, conta agora com uma sede própria para canalizar suas manifestações. Inaugurada este mês, a Aluá é a mais nova ''Vila Cultural'' da cidade - e como os demais espaços existentes com a nomenclatura, desenvolverá suas atividades com amparo do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
A casa está localizada na Rua Araguaia, 927, Vila Nova. ''A proposta é focar as culturas afro-brasileira e africana com base num programa que inclui montagem de espetáculos teatrais e musicais, produção de documentários, festival gastronômico e oficinas de dança de rua, capoeira e artes plásticas'', assinala o coordenador Marco Antonio Costa.
Ele acredita que o surgimento da Aluá está em sintonia com as políticas de ação afirmativa e promoção da igualdade social em curso no País. ''Tanto a sociedade civil quanto o Estado discutem atualmente a questão do preconceito racial, que existe no Brasil onde sua imensa diversidade étnica não se vê representada na televisão, por exemplo. A Aluá será um espaço combativo para a expressão dos afro-descendentes, como só houve nos anos 60 com a Arol, a Associação Recreativa do Operário Londrinense'', diz.
De acordo com ele, o espaço funcionará como uma sede para o Grupo Cabula de Teatro Afro-Brasileiro que, no ano passado, apresentou nos palcos o espetáculo ''Sabá: Mito, História e Arte Negra''. Na parte musical, a intenção é criar um grupo de maracatu, além de atrair o público da terceira idade para a criação coletiva de espetáculos que resgatem o samba-canção. O hip hop também integra o rol de temas a serem valorizados.
''Planejamos rodar um documentário sobre esse gênero musical que se difundiu nos Estados Unidos e foi assimilado pelo Brasil'', adianta. Um outro documentário já está em fase de finalização: ''120 anos da Abolição da Escravatura - Retrato do Negro Londrinense''. Segundo ele, o vídeo reúne depoimentos de representantes ilustres e anônimos da comunidade afro-descendente na cidade.
Para a área de teatro, a idéia é incentivar a pesquisa em torno da história dos negros no País. ''Na próxima semana vamos lançar um concurso de teatro afro-brasileiro para os alunos de ensino médio das escolas públicas. Queremos revelar jovens talentos locais'', anuncia. Entre as iniciativas previstas, há ainda eventos gastronômicos com pratos típicos da culinária africana. A primeira data de comilança está marcada para o dia 11 de abril. O cardápio prevê uma feijoada de Ibó, feita com camarão e frango e originária de uma ilha próxima de Moçambique.


