Apesar de provinciana, Londrina tem ares de metrópole quando o assunto é cultura. Durante 2011, festivais de cinema, música, dança e literatura montaram na cidade palcos dignos de capitais. E o londrinense está participando de tudo isso cada vez mais.

Essa é a constatação do secretário da Cultura de Londrina, Leonardo Ramos. "Foi um ano de muita movimentação na cena cultural da cidade. Os eventos foram muito bons. Foi o ano dos recordes e das casas lotadas", comemora.

De acordo com Ramos, somente via Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) foram injetados cerca de R$ 3 milhões na cultura local. Outros R$ 6 milhões teriam sido arrecadados por meio de leis de incentivo estadual e federal, somando ao todo um montante de R$ 9 milhões distribuídos em festivais, projetos e outras atividades culturais.

O valor, porém, não leva em consideração os gastos que grandes eventos como o Festival Internacional de Teatro (Filo) e o Festival de Música de Londrina (FML) movimentam com turismo, hospedagem, restaurantes e compras na cidade. Ramos lamenta a ausência de dados concretos sobre a movimentação econômica da cultura, mas de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), calcula-se que a cada R$ 1 gasto com a cultura local, outros R$ 5 sejam investidos indiretamente. Seriam cerca de R$ 45 milhões aplicados na economia local todos os anos.

Grande parte dessa movimentação acontece no mês de junho, quando o Filo entra em ação. Em 2011, foram 90 apresentações de teatro, música e dança, 12 delas de companhias internacionais.

"Este ano priorizamos as atrações nacionais e, mesmo assim, conseguimos equalizar bem a programação com uma diversidade de estilos para que qualquer público possa escolher uma peça para assistir", afirma o diretor do Festival, Luiz Bertipaglia. "Tatyana", da Cia de Dança Deborah Colker (RJ), "As três Velhas", de Maria Alice Vergueiro e o Teatro Pândega (SP), e "Cordel do Amor Sem Fim", do grupo Poste de Soluções Luminosas (PE), foram alguns dos espetáculos de destaque nas grandes capitais do país que em junho esgotaram as bilheterias do festival em Londrina.

E 2011 também foi o ano de retomada do Cabaré do Filo, que segundo Bertipaglia é um dos eixos do festival que mais exige investimentos devido à grande estrutura necessária. "Nosso orçamento é apertado, temos que ter o pé no chão e trabalhar com o que temos", pondera. Mesmo assim, o balanço é positivo. Em sua 43ª edição, o festival movimentou um público de quase 100 mil pessoas nos 17 dias de atrações.

E a programação promete ser ainda maior em 2012. "No próximo ano o festival será mais longo. A ideia é distribuir melhor os grandes espetáculos, colocar mais horários e repetições para que um público maior possa assistir", adianta.

Apesar do crescimento, Bertipaglia aponta os problemas de infraestrutura na cidade como alguns dos gargalos para a expansão do festival. "Temos problema em encontrar bons e grandes espaços para as apresentações na cidade." Mas se isso parece ser problema para uns, a população acaba tirando vantagem, já que parte das atrações acabam sendo realizadas em locais públicos. "Quando as apresentações são realizadas em salas fechadas o público é bem menor. Quando você coloca o teatro nas ruas, uma pessoa
que nunca foi ao teatro se sente instigada a comprar um ingresso", avalia Bertipaglia.

Adaptação e pluralização também foram as leis que regeram a organização do Festival Demo Sul 2011, o maior festival de música independente do Sul do país. Mesmo com o orçamento reduzido devido ao corte do patrocínio da Petrobras, o coordenador do evento, Marcelo Domingues, conta que a equipe conseguiu oferecer um festival de qualidade para Londrina.

"Foi um aprendizado, aprendemos a trabalhar com um novo formato de festival, mais pulverizado, distribuído em mais lugares, o que não deixa de ser muito gratificante."

O festival já trouxe a Londrina atrações de grande renome nacional como Nação Zumbi, Pato Fú e Tom Zé, mas o grande mérito, segundo Domingues, é promover um espaço para as bandas autorais da cidade conquistarem um lugar ao sol. "Nosso evento é uma vitrine para as bandas autorais. Hoje, Londrina já é referência, todo mundo comenta das bandas que saem daqui da região."

De acordo com Domingues, os 11 anos do festival contribuíram também para a criação de outros festivais independentes na cidade, como o Festival de Blues, o Bandas Novas, o Hellveillon, RedfootStomp, entre outros. "Tem muito mato para explorar nessa cidade. Nosso festival não toca sertanejo, não toca música cover, mas tem público, tem retorno e tem destaque nacional."

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