Cultura indígena em foco

Museu Histórico de Londrina insere objetos, painéis, fotos, textos e mapas de povos Kaingang, Guarani e Xetá em espaços de exposição permanente

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

Um dos objetivos da mostra é inserir no museu a presença da cultura indígena no processo de colonização de Londrina e região
Um dos objetivos da mostra é inserir no museu a presença da cultura indígena no processo de colonização de Londrina e região | Divulgação
 



O Museu Histórico de Londrina abre neste sábado a "Inclusão da Memória Indígena na Exposição Permanente do Museu Histórico de Londrina". A abertura oficial da mostra realizada com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) acontece neste sábado (7), às 10 horas. A inciativa visa suprir a ausência de referências aos povos indígenas em espaços do museu que contam parte da história da colonização da cidade.  


Entre as ações para a inserção das culturas indígenas nas quatro salas de exposição permanente estão a inclusão de objetos de memória (acervo tridimensional), instalação de painéis e totens com textos, fotos e mapas, além de legendas dos objetos e fotos traduzidas nas línguas Kaingang, Guarani e Xetá. Haverá ainda uma instalação que representará a forma como os povos indígenas eram guiados pelos astros, bem como a criação de um catálogo, também traduzido nas três línguas indígenas.  




A inclusão é resultado do trabalho desenvolvido por um grupo de pesquisadores, em parceria com lideranças indígenas dos povos Kaingang, Guarani, Xetá, que também conta com o apoio da diretoria do museu. A ideia surgiu em 2018, quando Regina Allegro, então diretora do Museu Histórico, convidou os pesquisadores Luis Henrique Mioto, Fernanda Nasser Dornelles e Eduardo Tardeli de Jesus Andrade para discutirem a intervenção na exposição existente, que ocupa salas do Museu.  


Eles são coordenadores não-indígenas do Centro de Memória e Cultura Kaingang (CMCK), cujo trabalho visa a potencialização da memória da comunidade Kaingang da Terra Indígena Apucaraninha, localizada em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina). Conforme apontam os responsáveis pelo projeto, os povos indígenas Kaingang, Guarani e Xetá sempre estiveram presentes na história do norte do Paraná e de todo o Estado. Apesar disso, as histórias deles e as respectivas culturas milenares ainda hoje são desconhecidas e, constantemente, alvos de preconceito.  


PARTICIPAÇÃO ESSENCIAL

Povos indígenas Kaingang, Guarani e Xetá sempre estiveram presentes na história da região Norte e de todo o Estado
Povos indígenas Kaingang, Guarani e Xetá sempre estiveram presentes na história da região Norte e de todo o Estado | Divulgação
 



Para Luis Henrique Mioto, historiador e um dos pesquisadores responsáveis pela exposição, a participação dos indígenas no trabalho de pesquisa foi essencial. "Acreditamos que essa exposição e todo trabalho sobre a cultura indígena têm que ser falado por eles mesmos”. O pesquisador também ressalta que o projeto fortalece os indígenas, pois incentiva entre eles refletir sobre a história e memória, contribuindo para que andem pela cidade com menos preconceito por parte da população. 


João Rodrigues Maria Tapixi, um dos líderes indígenas que integram o projeto, acredita que a exposição sirva para que muitas pessoas enxerguem de maneira diferente a cultura indígena. "Tudo o que faço nessa parte de cultura indígena do passado e do presente para mim é uma diversão. Pode ser que algumas pessoas digam o contrário, mas acho que grande parte vai se admirar com a exposição", diz. 

  

Serviço: 

Abertura da exposição "Inclusão da Memória Indígena na Exposição Permanente do Museu Histórico de Londrina". 

 Quando - Sábado (7), às 10 horas 

Onde - Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamin Constant, 900)  

Entrada gratuita 


Continue lendo


Últimas notícias