O cantor Wilson Simonal morreu há um mês no ostracismo. Mas entre o final dos anos 60 e começo dos 70, era tão popular quanto Roberto Carlos e capaz de lotar estádios.
Para lembrá-lo, a TV Cultura preparou um especial que vai ao ar hoje às 22h30 reunindo imagens antológicas de arquivo e depoimentos atuais. O programa mostra trechos de um especial do programa Flávio Cavalcanti, realizado pela TV Excelsior em parceria com a TV Tupi, no qual Simonal canta ao lado da diva norte-americana Sarah Vaughan.
Exibe ainda trechos do programa ‘‘Simonal Especial’’, que foi ao ar no início da década de 70 na TV Tupi. O cantor aparece interpretando as músicas ‘‘De Conversa em Conversa‘‘, ‘‘Minha Namorada’’, ‘‘Uno’’, ‘‘Balanço Zona Sul’’, ‘‘Lígia’’ e ‘‘Sá Marina’’. Ao lado de Vaughan, canta ‘‘Happy Days’’, ‘‘Shadow of Your Smile’’, ‘‘Time After Time’’ e ‘‘Till The Next Time’’.
Em uma entrevista inédita, Max de Castro, filho de Simonal, lembra a obra do pai: ‘‘Ele era um artista inclassificável. O tipo de música que fazia não se encaixava em nenhum movimento da MPB. O estilo de cantar era para fora e não se adequava à Bossa Nova. Ao mesmo tempo, a música dele era muito sofisticada para ficar junto da Jovem Guarda. Ele tinha muito swing e influência do samba, o que não permitia que pudesse entrar para Tropicália. Na época dos festivais, já era uma estrela’’.
Simonal, que morreu aos 61 anos de disfunções hepáticas crônicas, começou a cantar em coros nos seminários onde estudou. No exército, ajudou os companheiros a melhorar a interpretação dos hinos. O primeiro passo em direção à fama veio em 1961 quando Carlos Imperial o levou para seu programa ‘‘Os Brotos Comandam’’.
Dois anos depois lançou seu primeiro disco, que fez sucesso com a música ‘‘Balanço Zona Sul’’, um samba de Tito Madi. Ainda nos anos 60, foi levado por Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli para cantar no Beco das Garrafas. Em seguida, lançou o álbum ‘‘A Nova Dimensão do Samba’’, considerado um de seus melhores trabalhos.
O disco misturava pioneiramente o samba com a música pop negra norte-americana e toques jazzísticos. Mais tarde, abandonaria a linha sofisticada rendendo-se ao apelos populares. Foi a fase em que comandou o programa ‘‘Show em Si Monal’’, na TV Record, época em que gravaria o hit ‘‘Meu Limão, Meu Limoeiro’’, uma adaptação feita por seu amigo Carlos Imperial de uma cantiga tradicional norte-americana.
Simonal chegou a reger um coro de 15 mil vozes no Maracanãzinho ao som da música. Rico e popular, o cantor teria um destino ingrato a partir de 1971. Envolvido em circunstâncias nebulosas no auge da ditadura militar, foi acusado de ser informante do Dops (Departamento de Ordem Política Social). A partir daí, sua popularidade começou a cair. Foi banido pela classe artística, pelas gravadoras e pelas emissoras de rádio de TV num boicote sem tréguas que o fez sumir do mercado fonográfico.
Ficou limitado aos ambientes enfumaçados da noite. Passou anos tentando provar que jamais fora dedo-duro e colaborador de órgãos de repressão política. Em janeiro de 1999, Simonal conseguiu documentos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, do Centro de Inteligência do Exército e da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça confirmando que seu nome não aparece nos registros dos colaboradores do regime.

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