Cultura em qualquer idade
Na tarde da última sexta-feira um passado longínquo materializou-se numa sala de exposições diante de 17 idosos emocionados. Rostos enrugados, sorrisos largos e lágrimas se misturaram diante da réplica da primeira capelinha de Londrina. Dona Luíza, quase eufórica, relembra seu casamento e o batizado de seu primeiro filho naquela capela. Traída pela memória aos 70 anos, confunde as datas.
- Mas Dona Luíza esta capelinha foi demolida em 1943, a senhora não casou em 1947?
- É mesmo. Casei na igreja construída depois que demoliram esta. Mas são parecidas, né?
Seo Francisco e dona Laurinda também cometem o engano. Ela, aos 66 anos, chega a tirar os óculos para enxugar as lágrimas quando vê a maquete. Seu Francisco, 72 anos, transpira. Nós casamos nesta igreja há muitos anos, diz. O lapso não altera em nada a emoção. É como se o grupo revivesse momentos importantes de suas vidas.
Uns muito bem-humorados, outros mais comedidos, todos passam os olhos diante das maquetes de prédios históricos de Londrina e se deixam invadir pela nostalgia. Lembram de acontecimentos de 50 anos atrás, das ruas de terra do centro da cidade. Eu cheguei aqui na década de 40, era tudo terra..., começa a relembrar seo Francisco.
A nostalgia se mistura à excitação. É a primeira vez que o grupo pertencente à Paróquia de São Francisco de Assis, localizada no Parque das Indústrias, visita uma exposição. Durante a tarde da última sexta-feira o grupo visitou além da exposição de prédios históricos de Londrina, na Sala José Antônio Teodoro, as exposições Lazer em Londrina, na Biblioteca Municipal e A Obra Monumental de Poty, no Museu de Arte de Londrina.
As visitas fazem parte do projeto da Secretaria de Cultura, Vivendo Cultura. As monitoras Andréa Lúcia Cordeiro e Maria Angelina Zequim acompanharam o grupo nas visitas. Em seis meses de existência o projeto já atendeu 650 pessoas entre crianças e idosos. O objetivo é levar a cultura a estas pessoas que normalmente nunca foram a uma exposição, afirma Andréa.
No caso das crianças, o projeto já atendeu a diversas escolas públicas, casas e abrigos. A intenção é despertar o interesse pela cultura de uma forma geral. Não vamos apenas a exposições. Visitamos bibliotecas, mostramos a Internet, conta Andréa. Queremos mostrar a elas os recursos relacionados à cultura que estão disponíveis gratuitamente.
Andréa explica que muitas crianças atendidas pelo projeto pensavam que para entrar no Museu de Arte ou na Biblioteca tinha que pagar. Angelina conta que as crianças mais carentes são as que mais aproveitam as visitas. É tudo muito novo. Algumas não se interessam, mas outras se entusiasmam, querem saber mais e mais, afirma.
No caso de grupo de idosos a emoção não é menor. Com olhos marejados eles se alegram em entrar em contato com a arte. A gente nunca sai. Passa a vida trabalhando. É muito bom ver uma pintura, afirma dona Terezinha, 54 anos.Paulo WolfgangGrupo da terceira idade viu maquetes históricas e visitou exposições: emoção e lembranças que só fazem bemÉrika Pelegrino





