Apesar de ainda não contar com um teatro capaz de receber grandes eventos culturais, Cascavel atravessa um momento muito interessante com a população de menor poder aquisitivo tendo a oportunidade de se aproximar das atividades culturais. O objetivo da administração municipal é dar oportunidade para que as pessoas possam manifestar o gosto pela cultura.
Dando início ao processo de socialização da cultura na cidade, foi realizado no final do mês passado o 1º Fórum de Cultura de Cascavel, que contou com a participação de artistas e profissionais ligados a todas as vertentes culturais. Entre as diversas propostas apresentadas está a instituição do Conselho Municipal de Cultura e a ativação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que apesar de existir não é colocada em prática.
O secretário municipal de Cultura, Eduardo Marassi, acrescenta que durante o evento foram escolhidos 14 membros para comporem uma comissão que irá formar um Fórum Permanente de Cultura para analisar as propostas apresentadas. ‘‘Esta comissão terá reuniões frequentes para decidir quais propostas já poderão ser colocadas em prática’’, observa.
Em relação à Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Marassi acredita que dificilmente será colocada em prática devido a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que obriga o município a comprovar o destino dos recursos. ‘‘Para o município é muito difícil liberar dinheiro para a cultura, mas estamos em contato com empresários para que utilizem a Lei de Incentivo criada pelo Governo Federal, que concede descontos nos impostos para quem patrocinar eventos culturais’’, explica o secretário.
Para Eduardo Marassi, a cultura em Cascavel ainda não alcançou um grande crescimento nacional devido à falta de um teatro amplo com capacidade para receber grandes eventos. A construção do teatro municipal está paralisada por falta de verba.
Para o término da obra, falta o Governo do Estado fazer um repasse de R$ 2 milhões e a administração municipal liberar mais R$ 800 mil. Isso significa que Cascavel ainda ficará um bom tempo perdendo eventos culturais para a vizinha Toledo, que possui um teatro com capacidade para mil pessoas. Apenas nos últimos meses, artistas como Oswaldo Montenegro e MPB4 estiveram em Toledo.
Marassi ressalta que nos próximos dias dois novos projetos serão lançados. O Mapa Cultura e a Rua da Cultura foram idealizados para democratizar e descentralizar as atividades culturais em Cascavel e vão abranger dez bairros, com atividades de quarta a domingo, como apresentações musicais, artes plásticas, dança, teatro, mágica, recreações e shows.
De acordo com o secretário de Cultura, os projetos terão três momentos de evolução. ‘‘A curto prazo, instigar e mostrar a produção cultural, bem como provocar nas crianças e jovens o gosto por uma atividade cultural, transformando os salões comunitários num ponto de cultura, lazer e entretenimento. Pretendemos também realizar um censo cultural descobrindo as vocações culturais de cada comunidade visitada’’.
Num segundo momento, a meta da Secretaria da Cultura é colocar um professor, um técnico, ou um artista, para acompanhar a produção cultural descoberta em cada bairro. ‘‘E, a longo prazo, nosso objetivo será o do promover intercâmbio entre os bairros e mostrar a produção cultural, para que os cascavelenses saibam sobre o mapa cultural que existe em nosso município’’, enfatiza Marassi.
O secretário lembra que os festivais, que sempre foram uma tradição em Cascavel, não deixarão de ser realizados. O primeiro deles será o Festival Regional de Interpretação Musical, que está com inscrições abertas até 15 de maio. O Festival será realizado em três etapas classificatórias, nos meses de maio a agosto, e a finalíssima em setembro de 2001, durante o Festival de Música de Cascavel. Para Marassi, ‘‘a cultura se manifesta de forma mais acentuada em sociedades que a valorizam e democratizam sua popularização, independentemente da carga de tradicionalismo inerente à comunidade’’.

mockup