CULTURA E MARKETING SE ENTRELAÇAM
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de fevereiro de 2001
Francelino França De Londrina Elisa Marília Carneiro De Curitiba 
Milton DóriaMounir Chaowiche, superintendente de negócios da Caixa Econômica Federal, de Londrina: inscrições abertas para patrocínio até 10 de fevereiro
Caixa Econômica Federal
Com a abertura de mercado, as empresas que vêm para o Brasil vão adotar a prática de investir em cultura, o que vai acabar contaminando o mercado, avalia o superintendente de negócios da Caixa Econômica Federal, Mounir Chaowiche. A instituição possui duas linhas de apoio à cultura. Com recursos próprios investiu R$ 20 mil no Festival Internacional de Londrina - Filo. Pela Lei de Incentivo, no ano passado, o investimento chegou a R$ 113.168,00. Os projetos foram os seguintes: Batuque na Caixa; Meu Rosário de Saudades, livro de Nair Piacentini; Vida de Mulheres, livro de Islândia de Campos; Coral da Cidade de Londrina; Ethos, Ballet de Londrina; A Visita da Velha Senhora, espetáculo da Escola Municipal de Teatro; Temporadas de Dança; Equipagem de Espaço Alternativo para Exposição e Mostra Nacional de Música Popular Brasileira.
Para 2001, Mounir avalia que o investimento mínimo terá o mesmo valor do ano passado. As inscrições estão abertas para patrocínio de projetos culturais até o dia 10 de fevereiro. Interessados devem procurar Silvia França, no escritório de negócios da Caixa, em Londrina.
Interstation
Mário CésarAlan Thomas, diretor da Interstation: Associar nosso nome com espetáculos de qualidade é importante
Interstation
A escola de Inglês Interstation usa a Lei para patrocinar espetáculos de música, balé e teatro, como também recursos próprios em menor valor. Associar o nosso nome com espetáculos de qualidade é importante. No Ballet de Londrina, estamos interessados em apoiar produções locais com qualidade excepcional, afirma Alan Thomas, diretor e professor da Interstation, que procurou o diretor do Ballet, Leonardo Ramos, se oferecendo para patrociná-los em 2.001.
Em cinco anos, os concertos musicais empreendidos pela Vivarte também receberam a chancela de Alan Thomas no patrocínio. Em sua escola deve funcionar esse ano um Centro de Arte, refletindo o interesse pela cultura de forma global. Ensinar um idioma não é somente ensinar gramática. Somos educadores e parte de um todo e não somente instrutores de línguas, afirma.
Patrocinar esses espetáculos é a melhor forma de propaganda que existe. Quem não investe está perdendo uma grande oportunidade, advoga Alan Thomas. Para 2001, além do Ballet de Londrina e Escola Municipal de Teatro, a Interstation dará subsídio aos espetáculos da atriz Carla Diacov, e está comprometido com a Vivarte.
Luiz Jorge, cabeleireiro
Mário CésarLuiz Jorge: É bom para a cidade ser conhecida por um trabalho cultural
Luiz Jorge, cabeleireiro
Acreditando nas propostas da Funcart, desde 1994, o cabeleireiro Luiz Jorge canaliza recursos do IPTU e ISS para essa instituição. Para ele, o investimento no Ballet de Londrina oportuniza um retorno para a cidade. Alguns bailarinos formados pela Escola foram convidados a trabalhar fora. É bom para a cidade ser conhecida por um trabalho cultural, lembra. Para o empresário, no entanto, poderia haver mais informações sobre esse tipo de investimento no carnê do IPTU.
A falta de conhecimento pelo empresariado do que é produzido na cidade também contribuiu, na concepção de Luiz Jorge, para que os investimentos não sejam superlativos. Sei que pelo menos R$ 40 por mês dos meus impostos foram para gente séria, com um trabalho com grande alcance social, complementa. A preocupação com a cultura extrapola as doações de impostos e descontos em conta telefônica. Atualmente, Luiz abriga em seu salão uma exposição fotográfica de Celso Pacheco.
Kraw PenasSuelene Correia Gonçalvez, da Transporte Coletivo Glória: Se o dinheiro for para a prefeitura, fica pulverizado em muitas áreas
Transporte Coletivo Glória
Estar com o nome da empresa ligado a um projeto cultural é estratégico para as empresas que destinam parte dos impostos municipais a projetos da área cultural. Prova disso é o aumento do número de empresas que estão patrocinando eventos na área. Mas mesmo assim, ainda ficam muitos empreendimentos de fora. Se o valor vai para a prefeitura, fica pulverizado entre as diversas áreas municipais e provavelmente a Cultura não seria prioridade, reconhece a responsável pelo setor financeiro e cultural da Transporte Coletivo Glória, Suelene Correia Gonçalvez.
A empresa de transporte urbano já destinou verba ao curta-metragem Aldeia, de Geraldo Pioli e atualmente patrocina dois projetos: o curta Bento Cego, de Paulo Friebe, sobre o poeta e trovador de Antonina, nascido no século 19 e que morreu cantando; e um curso de artesanato com a artesã Erica Cristina da Silva, para moradoras da Cidade Industrial de Curitiba.
Cada um dos projetos recebe cerca de R$ 1.100,00 mensais, que é o valor referente a 20% do IPTU da empresa. Estamos sempre atentos à seriedade dos projetos porque, tratando-se de dinheiro público, é importante o nosso nome estar ligado a propostas sociais que valorizem a cultura do Estado, afirma Suelene.
José SuassunaSérgio Medina Roman, do Grupo Dom Bosco: empresa investe cerca de R$ 250 mil por ano em projetos culturais
Grupo Dom Bosco
A relação estreita com a filosofia de trabalho da empresa - Educação e Cultura - é o ponto fundamental para um projeto estar ligado ao nome do Grupo Dom Bosco, que entre suas empresas tem o Colégio Dom Bosco. Recebemos entre 30 e 40 projetos por ano para serem analisados e selecionamos criteriosamente segundo o que convencionamos de área de interesse, que é música clássica, história da música, dança, aquisição de obras artísticas, produção de CDs, teatro, folclore e literatura, afirma Sérgio Medina Roman, gerente contábil do Grupo Dom Bosco, em Curitiba.
Incentivador cultural desde 1994, o Dom Bosco destina o limite máximo permitido pela prefeitura. No total isso significa cerca de R$ 250 mil por ano. Entre os projetos que incentivamos, o da Cooperativa de Dança para portadores de Síndrome de Down, em 1988, foi especial por estarmos oferecendo educação para crianças com necessidades especiais. Pena que o projeto foi extinto, lamenta Roman.
O Grupo Dom Bosco já patrocinou os Elysium Concertos, o curso de formação de platéia e história da Música do Solar do Rosário, os projetos do músico Jonas Bach, do diretor de teatro Moacir David e dos contores Mara Fontoura e Luciano Rosa.
Leandro TaquesJoão Luiz Buso, diretor administrativo do Tecpar: Priorizamos os projetos ligados ao Paraná
Instituto de Tecnologia do Paraná
Produtor de vacinas para as campanhas de imunização do Estado, prestador de serviço tecnológico e de certificação de empresas, o Tecpar destina cerca de R$ 33 mil ao ano a projetos culturais por intermédio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Priorizamos os projetos ligados ao Paraná e atualmente estamos nos candidatando ao Prêmio Nacional de Qualidade e um dos ítens levados em consideração é o relacionamento com a comunidade em projetos culturais, adianta o diretor administrativo do Tecpar, João Luiz Buso.
Segundo ele, a Lei Municipal é muito séria e os projetos devem ser analisados com cuidado para que o nome da empresa fique ligado a um evento cultural de interesse amplo, uma vez que dinheiro público deve ser destinado a projetos de interesse da comunidade.
Está em fase de produção, com incentivo do Tecpar, o CD Chansons-gesang da cantora lírica paranaense Débora Oliveira; o livro de poesia Solidão, de Valdir Fagundes, a restauração arquitetônica da Igreja do Bom Jesus do Portão, em Curitiba; e o curta-metragem, Polaco da Nhanha, sobre a cultura polonesa no Estado.


