Do outro lado da ponta da polêmica sobre o funk e a violência estão os músicos que vivem desse gênero que, dentre os diversos estilos do próprio funk, escolhem uma temática para as letras das músicas. MC Theo, cantor de funk em Londrina junto com o DJ Lucas Landgraf, prefere falar de "coisas do coração" e "bens materiais", no que classifica com estilo melody e ostentação. "No início da minha carreira, percebi que muitas crianças acompanhavam meu trabalho. Mas não se interessavam apenas pela música, queriam saber onde compro minhas roupas, onde corto meu cabelo. Foi aí que me dei conta de como nós artistas temos um poder muito grande de influência", conta ele, frisando que não bebe, não fuma e não faz uso de qualquer droga ilícita.

Pensando nisso, decidiu que, em hipótese alguma, escreveria letras com apologia ao sexo, drogas ou ao crime. "Sou totalmente contra qualquer tema que não seja para divertir. Minhas letras são engraçadas, com brincadeiras, gírias e duplos sentidos, mas nada que ofenda alguém ou incite a violência." Artista atuante no cenário do funk da cidade, também estende essa postura às participações em seus shows. "Meus convidados não podem cantar músicas com esse tipo de letra. Acredito que podemos divertir o público de outra forma." No Paraná, segundo ele, já existe, inclusive, um movimento de MCs para bailes de funk sem apologia. "Nós, músicos, que precisamos dar limites."

Há dois anos atuando como cantor de funk em bailes e festas da cidade, MC Jackson,que canta com o DJ Eldinho Jr., diz que não tem nada conta quem faz letras com temas polêmicos, mas também prefere assuntos como sentimentos e ostentação. "Entendo a preocupação dos pais em não quererem que os filhos ouçam músicas com essas letras. Se as crianças escutam em algum lugar, vão querer saber o que significa. Também não quero que minha sobrinha pequena cante coisas que não são para a idade dela. Mas acho que "caem em cima" do funk como se somente esse gênero falasse de sexo e drogas; existem muitos outros ritmos diferentes que fazem a mesma coisa e ninguém critica."

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