Cultura conta a história através das praças
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Ana Purchio Agência Estado 
As praças são palcos de grandes acontecimentos da história e também o assunto do documentário holandês que a Cultura começa a apresentar hoje, e vai até sexta, 31, a partir de 22h30. Dividida em quatro episódios, a série se chama Se As Praças Falassem (The Square Remembers), e foi realizada pela RNTV, HOF- Film Productions, RVU e WDR, com direção de Rob Hof.
A Praça de Maio, é o primeiro episódio e lembra o mês de março de 76, quando aconteceu o último golpe militar na Argentina, comandado por uma junta militar chefiada pelo general Jorge Rafael Videla e onde em 77, as primeiras Mães da Praça de Maio começaram seus protestos em busca de seus filhos desaparecidos. Mas, além das mães, a Praça de Maio une, ainda hoje, outros excluídos. Todos os anos, em primeiro de maio, ela torna-se um local de protesto para os jovens desempregados e para os sem-teto. Em março de 81, Videla deixou a presidência. O general foi preso em 9 de junho deste ano acusado de ser o responsável pelo sequestro de recém-nascidos que seriam filhos de desaparecidas que deram à luz enquanto estavam detidas pela repressão. Vinte anos depois do desaparecimento de seus filhos, as mães não têm mais esperanças de vê-los vivos, mas ainda pedem a condenação de seus assassinos.
Amanhã, os remanescentes do massacre em Pequim comentam em A Praça da Paz Celestial o controle do Estado Chinês e a repressão aos opositores do regime. Estima-se que mais de cinco mil pessoas foram mortas durante a repressão aos estudantes que clamavam por democracia na Praça da Paz Celestial em junho de 89. Mas, aos poucos, aqueles que queriam liberdade de pensamento e de expressão de suas idéias foram se reunindo na Praça da Paz Celestial. Achavam que o governo aceitaria suas idéias, mas foram frustrados pelos tanques de guerra. Mesmo os que sobreviveram, tiveram que lidar com a repressão que perseguiu os manifestantes sobreviventes.
A Praça Wenceslas, em Praga, é um símbolo da luta do povo tcheco pela democracia. Foi o local onde nasceu a nação tcheca moderna, em 1918, com a posse do presidente Masaryk, mas também foi marco da tomada pelos tanques soviéticos em 1968 e pelos alemães em 1939. A libertação da Alemanha, em 1945, a Primavera de Praga, em 1968, e a Revolução de Veludo, em 1989, também foram comemoradas na Praça Wenceslas. O programa que vai ao ar nesta quinta mostra o impacto que a praça sofreu com as constantes disputas no país, além de mostrar depoimentos do presidente Václav Havel, teatrólogo perseguido pela ditadura, que lembra de seu encontro com o povo, depois que assumiu o poder, na praça.
Na sexta, A Praça Dam traz a história da cidade de Amsterdã e do povo Holandês. A praça já foi palco de feiras, local de execuções e de contato dos monarcas com o povo. Durante a Segunda Guerra, ela foi ocupada pelos alemães. No local, o estadista inglês Winston Churchil foi aclamado pelo povo no final da guerra. No final da década de 60, os hippies reuniam-se no local e dormiam ao ar livre. Nesta época, existiam os provos, jovens que provocavam as autoridades como uma forma de contestação e habitavam a praça. Em 1966, trabalhadores da construção civil, descontentes com o pagamento das férias, juntaram-se aos provos na maior manifestação até então realizada na praça.


