São Paulo, 06 (AE) - A simples presença de grandes intérpretes de Bach na temporada musical da Sociedade de Cultura Artística, nos 250 anos de morte do compositor alemão, já justificaria a disputa por um lugar na Sala Esther Mesquita, mas há outros motivos para renovar as assinaturas, a partir de terça-feira. O principal é a aposta em grupos novos, que nunca vieram ao Brasil, equilibrando a temporada entre grandes orquestras (as sinfônicas de Chicago e Praga), conjuntos de câmara com pouco mais de dez anos de existência (Europa Galante) e solistas jovens como o pianista russo Stanislav Bunin.
Dois tipos de assinatura podem ser feitas para a temporada da Sociedade de Cultura Artística, patrocinada pela Bovespa, Telefonica, Volkswagen e Votorantim. A completa inclui dez concertos, oito no Teatro Cultura Artística e dois na Sala São Paulo. A parcial terá oito concertos, todos no Cultura Artística. O prazo para renovação de assinaturas vai até o dia 29. Quem não é assinante pode reservar seus lugares de 14 a 17 de março. Os preços variam de R$ 470,00 a 950,00 (temporada parcial) e de R$ 590,00 a R$ 1.190,00 (completa).
Entre outras obras-primas de Bach que serão ouvidas nesta temporada estão os seis Concertos de Brandenburgo pela English Concert, dirigida por Trevor Pinnock (em maio), e a Missa em Si Menor, o maior dos monumentos musicais da Igreja Católica, curiosamente erguido por um luterano. A missa vai ser interpretada em outubro por cantores da G„chinger Kantorei e instrumentistas do Bach-Collegium de Stuttgart sob regência de Helmuth Rilling.
Sob o signo do sagrado - A temporada já começa sob o signo do sagrado. Em abril, a Orquestra da Rádio de Moscou, acompanhada pelo Coro de Câmara de Moscou e Solistas, sob regência de Saulius Sondeckis, vai interpretar uma missa de Schubert e peças sacras compostas por Titov e Chesnokov, entre outros compositores russos (série Branca), além do Réquiem de Mozart (série Azul) e do Stabat Mater de Pergolesi (série Verde). Difícil será decidir qual das três séries seguir, considerando o alto nível dos programas. Em maio, por exemplo, Trevor Pinnock, que restaura obras importantes do repertório barroco europeu desde 1973, quando criou a English Concert, vai reger de Bach a Vivaldi, passando por Telemann e Haendel. Em junho, o pianista moscovita Stanislav Bunin, de 34 anos, faz três programas dedicados a Chopin (um com os Estudos, outro com as Baladas e um terceiro com as Valsas), acrescentando na série Verde uma das suítes inglesas de Bach.
Julho traz de volta o Quarteto Alban Berg para tocar um dos últimos quartetos de Beethoven, o 130, além de obras-primas assinadas por Mozart, Mendelssohn e Bartók. O quarteto, que estreou em Viena há quase 30 anos, já esteve em São Paulo uma vez e justifica o estoque de adjetivos que os críticos americanos e europeus guardam para seus concertos.
Quem vem pela primeira vez ao Brasil é o grupo Europa Galante, abrindo os concertos do segundo semestre, em agosto. A pesquisa que Fabio Biondi, maestro e fundador do conjunto, vem promovendo desde 1989 trouxe novamente às salas de concerto peças de barrocos italianos que não tiveram a mesma sorte de Vivaldi (Geminiani e Tartini, entre outros). Corrigindo distorções, o violinista e também maestro Biondi preparou para a temporada uma sinfonia de Sammartini raramente executada, prestando também uma homenagem a Bach com o Concerto para Violino e Oboé em Dó Menor (apenas na série Azul).
Novas atrações - Ainda em agosto, o barítono Matthias Goerne e o pianista Eric Schneider fazem igualmente sua primeira apresentação no Brasil. A dupla vai interpretar três grandes ciclos de canções de Schubert com credenciais invejáveis. Goerne é considerado o sucessor de Dietrich Fischer-Dieskau, de quem, aliás, foi aluno. Schneider, seu acompanhante, ocupa ao piano o lugar que já foi de Alfred Brendel, o grande incentivador do barítono.
Setembro não terá uma pausa musical, mas o concerto da Sinfônica de Praga, com Dezs” Ranki ao piano e Jirí Belohlávek na regência, será realizado não no Teatro Cultura Artística e sim na Sala São Paulo, que também recebe em outubro a Sinfônica de Chicago dirigida pelo maestro Daniel Barenboim. No mesmo mês, apresentam-se no Cultura Artística o G„chinger Kantorei e o Bach-Collegium de Stuttgart. Sob regência do maestro Helmuth Rilling, o coral e o grupo instrumental interpretam a Missa em Si Menor de Bach. A temporada termina em novembro com o violoncelista brasileiro Antonio Meneses interpretando concertos de Dvorák e Elgar com a Filarmônica Estatal da Renânia, regida pelo maestro Theodor Guschlbauer.
Mais informações sobre os concertos e assinaturas pelos telefones (0--11) 256-0223 e 257-3261. Ou diretamente na bilheteria do teatro (Rua Nestor Pestana, 196), das 10 às 17 horas.

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