CULTURA - Semana Zumbi em parceria
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sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Uma semana que representa a continuidade da luta do povo negro não somente em Londrina; em sua vigésima edição, a Semana Zumbi dos Palmares desse ano consegue angariar forças em busca do diálogo.
Paralela à agenda nacional, o evento, que tem início na próxima quarta-feira, relembra o grande líder popular com uma programação eclética em que oficinas, mesas-redonda, palestras, exposições e exibição de filme abrem espaço para a discussão sobre os negros na sociedade brasileira.
''O Brasil, nos últimos cinco anos, já vem percebendo que existe discriminação racial, e a realização da Semana é mais uma conscientização da necessidade de união para lutar pelos direitos dos negros'', disse Vilma Santos de Oliveira (Yá Mukumby), presidente do Conselho da Comunidade Negra de Londrina.
Utilizando como exemplo a idéia do material de divulgação do evento, Kenedy Piau, diretor da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina, ressalta a importância do diálogo. ''É um ponto de exclamação com figuras de pessoas de diversas raças, entre elas a negra. Há um entendimento de que o valor cultural que mantém o racismo é o mesmo da discriminação sexual, de diferenças sócio-econômicas, entre outros'', acrescentou Piau.
Fator relevante para a realização da XX Semana Zumbi de Palmares é que, pela primeira vez, um elevado número de parceiros ''abraçaram a causa''. São vinte e três organizadores que acreditam que os inconvenientes relacionados aos negros não cabem somente à raça, mas à toda sociedade. ''É uma maneira de trabalhar a diversidade com todos os excluídos, na defesa dos negros, índios, ciganos, japoneses'', comentou a presidente do Conselho.
Idalto José de Almeida, um dos conselheiros da Comunidade Negra de Londrina, ponderou que o momento atual é importante dado o interesse de diversos segmentos da sociedade em promover a igualdade social. ''Essa edição da Semana será a primeira após a implantação de cotas para negros na UEL. ''A realização de políticas públicas para mudar a realidade do negro é fundamental'', ressaltou Almeida.
O Brasil é um dos países, com exceção da África, que mais concentra população negra. Segundo Maria Nilza da Silva, professora de sociologia da UEL, o negro sempre foi visto como um ser exótico, ou com potencial para a cultura ou para o esporte. ''Todos os povos têm seus líderes e o Zumbi deve ser reconhecido como o líder do povo brasileiro'', disse ela.
Um dos destaques da semana é a cerimônia de abertura com Louvação dos Orixás e Cantos de Negritude, que será apresentada na próxima quarta-feira, às 19 horas, no Anfiteatro do CESA/UEL. Na sequência, palestra com o tema ''O Negro no Brasil e o Dia Nacional da Consciência Negra'' ministrado por José Jorge de Carvalho, professor doutor pela UNB. Para encerrar, no domingo (20), que tradicionalmente comemora-se o Dia da Consciência Negra, está programado o projeto ''Quizomba: samba e outros batuques'', às 17 horas na Usina Cultural.
''Precisamos que a sociedade se una. Não vamos mudar o Brasil pela força, mas pelo diálogo'', argumentou José Mendes de Souza, também conselheiro da Comunidade Negra de Londrina.


