A polêmica em torno de ‘‘Psicopata Americano’’ começou quando foi divulgado que o astro Leonardo DiCaprio iria fazer o papel do matador Patrick Bateman, que dá título ao filme. Mas com medo que o violento personagem arranhasse sua carreira após o sucesso de ‘‘Titanic’’, DiCaprio desistiu. Para seu lugar foi escalado Christian Bale, que na década de 80 fez o garotinho que emocionou o mundo em ‘‘Império do Sol’’.
A direção que seria de Oliver Stone – que desistiu junto com DiCaprio – ficou a cargo de Mary Harron, a mesma de ‘‘Um Tiro para Andy Warhol’’. Na verdade, a polêmica começou quando a produtora Lions Gate comprou os direitos do livro de Bret Easton Ellis, no qual o filme é inspirado. Uma obra cuja as páginas produzem mais sangue que os jornais sensacionalistas das grandes cidades brasileiras.
Bret Easton Ellis ficou famoso na década de 80 quando escreveu ‘‘Abaixo de Zero’’, que também virou filme. Em seus livros, o autor faz uma crítica ácida à geração yuppie que dominou os anos 80. O culto ao individualismo é a tônica de ‘‘Psicopata Americano’’, um retrato sombrio sobre uma geração que colocou os bens materiais acima de qualquer sentimento humano. Isso fica claro num diálogo de Patrick Bateman, o yuppie-matador: ‘‘Eu tenho todas as características de um ser humano, mas nenhuma emoção, exceto a ganância e o ódio’’.
Apesar de ser um filme violento, a cineasta Mary Harron teve o bom senso de dirigir as cenas dos crimes com muita elegância, poupando o telespectador dos efeitos físicos dos assassinatos praticados por Bateman. ‘‘Psicopata Americano’’ é uma metáfora à autofagia de uma geração utracapitalista e hedonista que marcou a década de 80. Lançamento da Europa. Duração: 101 minutos.






OUTROS LANÇAMENTOS




ReproduçãoMãe e filho vivem um relacionamento neurótico, quase incestuoso



Através da Janela
Este longa da cineasta Tata Amaral é um exercício de reflexão sobre o relacionamento mãe e filho. Em ‘‘Através da Janela’’ o amor quase incestuoso da mãe e filho é também uma metáfora da solidão e do apego à única luz que brilha num universo tão sombrio. Laura Cardoso (ótima, como sempre), interpreta Selma, uma enfermeira aposentada que dedica a seu filho Raimundo, de 24 anos, um amor neurótico, com momentos de erotismo.
Quase em forma de uma tragédia grega, Selma começa a ficar perturbada quando há mudança no comportamento do filho. Ele fica longos períodos fora de casa, recebe telefonemas estranhos e sai de madrugada. Pressionado pela mãe, Raimundo não consegue explicar suas atitudes, mas sabendo que ela fará qualquer coisa por ele, Raimundo envolve a mãe é uma situação limite: um crime. Praticamente todo rodado dentro de um apartamento, ‘‘Através da Janela’’ é cinema dos bons. Uma pena que o ator Fransérgio Araújo, que interpreta Raimundo, seja muito fraco. Lançamento da Europa. Duração: 82 minutos.


ReproduçãoVisual cafona e roteiro fraco fazem de ‘‘A Cela’’ um filme descartável







A Cela
Dirigido pelo clipeiro Tarsem Singh, ‘‘A Cela’’ é visualmente extravagante e o roteiro tem a profundidade de um pires. Com Jennifer Lopez e Vince Vaughn nos papéis principais, o longa é uma babaquice do começa ao fim. Tarsem Singh se preocupou demais com os figurinhos e os cenários, mas esqueceu que estava fazendo um filme e não um clipe.
Jennifer Lopez interpreta uma cientista que precisa entrar na mente de um serial killer (Vincent O‘Onofrio, mais caricato impossível) que se encontra em coma para descobrir onde ele escondeu sua última vítima. Ao fazer isso, ela descobre que o comportamento criminoso do assassino está ligado aos maltratos que ele sofreu na infância. Muito original, não é?
Mas como se não bastasse a falta de criatividade, o diretor não poupa o telespectador de um amontoado de imagens grosseiras, desconexas e cafonas ao extremo. Lançamento da Playarte. Duração: 113 minutos.

mockup