Cult mal requentado
O diretor Rob Zombie (nome e especialidade feitos um para o outro) tinha carta branca e tietagem suficiente para fazer um remake do clássico Halloween de John Carpenter pelo menos aceitável. Mas não deu. Não como se desejaria. Porque este atualizado Halloween toma tempo demasiado para explicar o que não tinha necessidade. E não encontra tempo para desenvolver satisfatoriamente o resto.
Temos aqui o menino Michael Myers (o expressivamente inexpressivo Daeg Faerch, o melhor do filme). Ele vive com a mãe streaper, o padrasto degenerado e violento e uma insuportável irmã mais velha. E também com sua irmãzinha bebê, que no início não tem grande importância. Para completar o desatino, Michael é maltratado pelos colegas de escola.
Como no original de 1978, Michael pira e comete literalmente uma desatada sangria. Aquela mesma que John Carpenter resolveu com um magistral e rápido plano sequência, mas que aqui leva infindável meia hora de narração, com explícitos cadáveres familiares e de colegas de escola - bem de acordo com os ritos atuais do cinema gore.
O resto é história conhecida. O pequeno assassino termina no manicômio, sob controle do Dr. Loomis (Malcom McDowell), que por duas décadas tenta curar o silenciosa louquinho de pedra. Parêntese: é muito bom mesmo o desenho de produção do instituto psiquiátrico, exorbitando calculadamente o estado de desordem mental.
Bem, o paciente foge como na história original e parte para novo massacre, mas aqui entra o elemento fatal para o filme. Ele acaba pagando tributo muito pesado no processo de atualização para os dias de hoje. E também ao psicologismo desenfreado. O que sobra para o espectador de conexão cult entre os dois filmes é somente aquela máscara. Convenhamos, é muito pouco para segurar o desvario em questão. (C.E.L.J.)





