Divulgação‘‘O Rio’’ é um filme rigorosamente cruel, no mesmo sentido em que Artaud defendia seu teatro da crueldadeCult Filmes lança
preciosidadesO selo Cult Filmes foi criado no ano passado para lançar nas locadoras os filmes exibidos na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em dezembro, chegaram ao mercado ‘‘Gosto de Cereja’’, ‘‘Delicada Atração’’ e ‘‘Negócios à Parte’’. Todos de excelente qualidade. Agora, a Cult Filmes está lançando um pacote com mais três filmes da Mostra para espectador nenhum botar defeito. São eles: ‘‘O Rio’’, de Tsai Ming-Liang (Taiwan), ‘‘Na Companhia de Homens’’, de Neil LaBute (Estados Unidos) e ‘‘Gabbeh’’, de Moshen Makhmalbaf (Irã).
‘‘O Rio’’, ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim, em 1997, é um filme perfeitamente cruel, no sentido em que Artaud defendia seu teatro da crueldade. É uma obra rigorosa ao extremo que aborda a repressão sexual e a falta de comunicação no interior de uma família. Sem fazer concessões, Tsai Ming-Liang vai fundo em questões como homossexualismo e incesto. Não há espaço para sentimentalismo em ‘‘O Rio’’, portanto, não é um filme fácil de ver. É uma obra para quem se dispõe a lançar um olhar profundo e doloroso sobre a condição humana. Pai, mãe e filho vivem sob o mesmo teto, mas raramente se encontram. O pai é um aposentado que frequenta saunas homossexuais, a mãe tem um caso com um escroque e o filho é um alienado que certo dia surpreende o pai numa dessas saunas.
‘‘O Rio’’ pode não ser uma obra-prima, mas está perto disso. É cinema de arte, feito por um diretor que, com certeza, acredita que cinema é uma forma de conhecimento. Já ‘‘Na Companhia de Homens’’, de Neil LaBute, é um filme perturbador, misógino e provocador. A violência verbal dos diálogos choca mais que qualquer cena de sangue. Dois executivos abandonados pelas namoradas e preteridos numa promoção no trabalho, destilam todo o seu veneno assediando a mesma mulher. O plano é seduzi-la e depois abandoná-la. O roteiro é ácido e devastador, mostrando como pode ser cruel o imaginário masculino. ‘‘Na Companhia de Homens’’, ganhou o prêmio de Melhor Direção no Sundance Festival, em 1997.
O terceiro filme do pacote vem do Irã. ‘‘Gabbeh’’ é puro realismo poético. O diretor Moshen Makhmalbaf monta um panorama emotivo da cultura iraniana, partindo da figura de uma mulher que tece um gabbeh (tapete matrimonial) como se conversasse com os fios. Os desenhos ultracoloridos contam a história de uma jovem chamada Gabbeh que foi proibida de juntar-se ao seu grande amor. No Irã, tecer um gabbeh é uma maneira de contas histórias. O cineasta recupera essa tradição e ao mesmo tenta uma aproximação entre cinema e tecelagem. Este filme é um presente para os olhos, coração e mente.
Por ser uma distribuidora nova, a Cult Filmes ainda não possui representantes em todas as cidades, mas locadoras e cinéfilos interessados em enriquecer artisticamente seu acervo podem comprar os filmes pelo telefone (011) 285-3304, ao preço de R$ 34,00 cada fita. (C.M.)

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