Reza a lenda que o chamado ‘‘gado negro’’ chegou à ilha paraense quando um navio indiano naufragou no litoral e os animais que sobreviveram se adaptaram a Marajó. O fato é que os búfalos – cerca de 500 mil, mais numerosos que os marajoaras – serão presença constante. Até na refeição. Na carne, no leite e no queijo – também conhecido como queijo marajoara, não é exatamente como a mussarela de búfala, mas uma versão um pouco mais pastosa.
Também no artesanato de couro, principalmente sandálias e bolsas. Para os moradores, a serventia do animal vai além da cozinha e do artesanato. A polícia local, por exemplo, monta no lombo do búfalo para se locomover. ‘‘Tem uma hora que os guardas têm de descer do bicho e sair correndo atrás do ladrão’’, conta um morador.
Um dos melhores lugares para se entender do assunto é a Fazenda Bom Jesus. A simpática dona Eva Abufaiad, veterinária especialista no animal, deixou a carreira de pesquisadora acadêmica e professora no interior paulista para voltar à Ilha de Marajó e se dedicar à criação de búfalos. Na fazenda, há mais de mil animais, a maioria da raça mediterrâneo.
Há sete anos, ela abriu a propriedade da família para a visitação de turistas. Lá eles têm uma rápida aula sobre o animal e conhecem o trabalho de preservação ambiental e recuperação de espécies em risco de extinção que ela faz em parceria com o Ibama.
Depois disso, é hora de subir no lombo do búfalo e dar algumas voltinhas. Sempre puxados pelos funcionários para não haver risco algum. ‘‘Escolhemos os mais dóceis para serem adestrados e ainda assim é um trabalho que leva anos’’, conta dona Eva.
Ao final, a mãe dela, dona Carlota, de 75 anos, aguarda na varanda da fazenda com uma amostra de seus quitutes. Como a família toda é de libaneses, as especialidades continuam sendo feitas à base de leite de búfalo, mas com receitas árabes. Queijos, coalhadas e geléias das frutas típicas. Basta ligar e agendar o horário da visita.
SERVIÇO
Fazenda Bom Jesus: tel. (0--91) 3741-1243.

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