Belém - Prepare o paladar e entregue-se a variados sabores com toques bem especiais herdados da culinária indígena. Pratos como o pato no tucupi e o tacacá são bem fortes. Então, comece com a exótica maniçoba, conhecida como feijoada paraense.
A aparência não é das mais agradáveis, mas o sabor é muito bom. Ela é preparada com folhas de mandioca, que são altamente venenosas e passam por um demorado (são sete dias) processo para eliminar o veneno. Geralmente ela é preparada em forno a lenha e leva muitos temperos paraenses. De dar água na boca.
Embora seja um dos mais famosos pratos regionais, o pato no tucupi não agrada muito aos iniciantes. Ao forno, ele é servido imerso em tucupi (um líquido extraído da mandioca) e com folhas de jambu (que deixam a sensação de dormência nos lábios). Por ser sinônimo de fartura, o pato é preparado pelas famílias em datas especiais como Natal e Círio de Nazaré, entre outros.
Numa breve circulada pela cidade, certamente é possível se deparar com barracas de comida típica. Uma delas é o tacacá, sopa que mistura goma de tapioca, tucupi, jambu e camarão seco, e que é servida bem quente numa cuia. Outra especialidade que não pode passar batida é o vatapá, também vendida na rua.
Diferentemente da receita baiana, a versão paraense não leva peixe nem amendoim nem castanha-de-caju. É feita com o caldo das cabeças e das cascas de camarão (acredite!) misturado com folhas de alfavaca, chicória, alho e cheiro-verde e servida com arroz branco, folhas de jambu cozidas e camarões secos.
A conhecida castanha-do-pará é bem nutritiva e usada no preparo de pratos doces e salgados e até na fabricação de cosméticos. Em sua terra natal, ela é encontrada nas casas de produtos regionais e vendida por litro. Outro badalado e saboroso fruto da terra é o cupuaçu. Saborosíssimos sorvetes, sucos, bombons e licores são preparados com ele.
Nas versões doce e ácida, o bacuri é outro fruto que combina com tudo. Dá ótimos sorvetes, sucos, compotas e até cerveja. Duvida? Confira no Amazon Beer, bar que fica na belíssima Estação das Docas e onde também é fabricada a cerveja servida na casa. Toda terça-feira, das 18 às 20 horas, há happy hour em que os clientes pagam R$ 18,00 e bebem à vontade. Eles também servem pratos de frango, carne e camarão grelhado, além de petiscos. À noite tem um palco rolante suspenso pelo teto onde são apresentados shows de música ao vivo.
A poucos metros da cervejaria fica uma sorveteria. Há mais de 50 sabores, como bacaba, carimbó, mucuri, cairu, taperebá, castanha e até queijo. Só não deixe de provar o de açaí e o de tapioca.
Além da bela vista para a Baía do Guajará, a Estação das Docas oferece opções de restaurantes com especialidades nas cozinhas regional, italiana e oriental, além de frutos do mar. Há para todos os bolsos e gostos.
Quem prefere points frequentados pelos nativos deve ir à Casa da Peixada, na Travessa 14 de Março. Bem simples, tem como o carro-chefe tucunaré e pirarucu na brasa e churrasco de peixe, sempre acompanhados por arroz, feijão e vinagrete. Gasta-se, em média, R$ 30,00 em duas pessoas. Já quem quer curtir um clima romântico, o endereço é o Boteco das 11, na Casa das Onze Janelas. O ambiente é convidativo com luz de velas à mesa e o cardápio, bem variado. (C.V.)

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