Culinária em verbetes
Que tal um abrunho? Ou uma patanisca? Bem, talvez um gole de paiauru, ou um pouco de mulucu, até quem sabe uma jeribita. Se sobrar espaço, aceite um gamuza, um cupulate ou uma ciricaia. Agora, da chanfana é melhor fugir. Se o leitor é do tipo que prefere saber o que está comendo e bebendo, uma boa dica é o Dicionário-Almanaque de Comes & Bebes de Claúdio Fornari, que a Nova Fronteira está lançando.
Ali dá para entender que abrunho é um fruto de origem européia usado na fabricação da tequila. Patanisca é uma isca de bacalhau frita. Já o paiauru é uma bebida fermentada de beiju, natural da Amazônia. Mulucu é um tipo de pudim feito de feijão, camarão e dendê; jeribita é pinga de melado; gamuza é chocolate misturado com farinha de milho; cupulate vem das amêndoas do cupuaçu, formando um doce que lembra o chocolate; e ciricaia é uma sobremesa feita de farinha, leite, ovo e açúcar queimado. Recuse a chanfana, um aguardente de má qualidade.
Além de parecer um dicionário, o lançamento ainda acrescenta citações literárias e informações que, normalmente, escapam às publicações gastronômicas, assemelhando-se a um almanaque. No livro, encontra-se cortes específicos de carne, aparelhos domésticos, expressões populares e tipos de vinhos. Passa por drogas comestíveis, entra no misticismo e até ensina a brindar em 30 idiomas.
Claudio Fornari, o autor, é jornalista e escritor, e opta por um texto informal, claro e divertido. Como se trata de uma obra de referência, Fornari preferiu não incluir receitas.
Serviço: Dicionário-Almanaque de Comes & Bebes, de Cláudio Fornari. Editora Nova Fronteira, 360 páginas, R$ 38,00.





