Culinária e boa música
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quarta-feira, 30 de maio de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
A Rádio Educativa FM 97.1 leva ao ar todas as segundas-feiras, às 21h45, Música e Paladar, programa produzido e apresentado pela jornalista Noemi Osna. São 15 minutos da mais pura MPB, bem ao gosto de sua idealizadora, mas com a característica de que as letras das canções têm que trazer, obrigatoriamente, referências à comida.
Já no prefixo de Música e Paladar o ouvinte é convidado a ingressar no mundo dos temperos e partituras, ao ouvir No Tabuleiro da Baiana, de Ary Barroso. Essa mistura faz parte da cultura brasileira; os compositores têm sempre um pé na cozinha, por mais que saibam apenas fritar ovo. Só na pesquisa que fiz nos meus discos não tenho uma grande discoteca encontrei mais de 100 músicas falando de comida, conta Noemi.
Chico Buarque, João da Baiana, Dorival Caymmi, Assis Valente, João Bosco, a escola dos grandes sambistas: a lista é extensa dos que passaram entre a mesa e o fogão nas suas inspirações. Até o guitarrista Marcelo Fromer, dos Titãs, entrou nessa história ao editar o livro Você Tem Fome do Quê?. De vez em quando vai ao ar uma receita, desde que tenha alguma relação com a música a ser tocada.
A ligação de Noemi Osna com a arte culinária não está somente na produção do programa. Ela gosta de mexer com culinária e, prova disso, é que foi proprietária de um pequeno restaurante durante dois anos. Quando não está às voltas com outras produções da emissora Grandes Maestros e suas Orquestras Maravilhosas, Serestas Brasileiras e programetes especiais inseridos na programação gosta de preparar pratos tradicionais para a família.
Gelfite Fish ao Forno, que ilustra hoje a coluna, é típico da páscoa judaica mas que pode ser servido em qualquer época do ano. Ele vem antes do prato principal, explica a jornalista. Para ela basta a mais leve menção ao Gefilte para lembrar-se de sua avó. Era uma cozinheira judia de mão cheia; com ela aprendi muito, conversando e observando.
Tendo uma família numerosa, a avó costumava comprar tudo em grandes quantidades. Para as conservas, utilizava dezenas de caixas de frutas; o mesmo acontecia com os salgados, legumes, sucos. Minha referência culinária é ela, não tem outra, afirma.
Preparar o Gefilte Fish ao Forno exige boa dose de cuidado e paciência, porque é preciso remover toda a pele do animal, sem machucá-la. Mais tarde, ela recobrirá todo o recheio, dando a ilusão de que o peixe está ali por inteiro. A espinha é retirada; a carne (crua) moída na máquina. Você tem que trabalhar sem pressa, senão não dá certo, aconselha Noemi. O resultado vale o esforço: Fica uma delícia, a gente adora este prato.


