Quito - Batata, milho, mandioca e banana. A cozinha típica equatoriana, herdada dos indígenas, combina esses ingredientes com grande imaginação. E com uma dose de temperos, especialmente coentro, às vezes carregada para o paladar brasileiro. Merece, de toda forma, ser testada, seja nos restaurantes mais requintados ou nos mais populares.
Como entrada, empanadas de banana verde, locro (caldo de batata e queijo, enriquecido com pedaços de abacate) ou ceviche (coquetel picante de frutos-do-mar ou peixes) são boas alternativas. Como prato principal, a fritada quitenha é um bom exemplo das peculiaridades da culinária local. O prato é uma inusitada mistura de pedaços de carne de porco frita, empanadas de queijo e banana, ''tortillas'' de batata e porções de dois tipos de milho um torrado e outro semelhante à canjica brasileira.
O tradicional arroz-doce ou arroz com leite é uma das sobremesas mais presentes nos cardápios equatorianos. Outros destaques são as frutas típicas, naturais ou em compota, como a tuna (da família da fruta-do-conde), a pitahaya (próxima ao kiwi), a granadilla e o taxo (parentes do maracujá).
A dolarização encarece bastante os preços da comida. Uma refeição razoável, num bom restaurante, sai por volta de US$ 20 por pessoa, com entrada, prato principal, sobremesa, cerveja ou refrigerante (a primeira custa em torno de US$ 2,50 e a Coca-Cola cerca de US$ 2). Vinhos engordam bastante a conta, já que os argentinos e chilenos não têm taxação preferencial, como ocorre no Brasil. É que o Equador não é sócio pleno do Mercosul, como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Impostos (12%) e serviços (10%) pesam mais um pouco na conta.
Em Quito, duas boas sugestões para quem quer experimentar a culinária equatoriana, mas com um sotaque mais global, são os restaurantes Theatrum e El Crater. O Theatrum, como o nome indica, funciona dentro do Teatro Sucre, o principal da capital, uma majestosa construção em estilo neoclássico do fim do século 19. El Crater fica junto da cratera do vulcão extinto Pululahua, a cerca de 25 quilômetros da cidade.
Para quem não tem preconceitos, uma visita a um restaurante popular de rua ou dentro dos mercados é programa bastante interessante, além de econômico. No mercado de Cuenca, por exemplo, um prato reforçado com assado de porco, acompanhado por salada de folhas e llapingacho (torta de batata e queijo) custa US$ 1,50.
Os mais ousados podem ainda se aventurar em busca de um restaurante que sirva cuy uma espécie de porquinho-da-índia, criado por indígenas e abatido principalmente em junho, para a chamada Festa da Colheita. Os apreciadores garantem que a carne é magra e bastante nutritiva. (M.A.D.)

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