O artista plástico Paulo Assis, famoso pelas telas que trazem impressas bicicletas como uma assinatura obrigatória, montou seu ateliê no porão da casa dos pais e transformou o espaço num cenário rodeado de verde, com telas, esculturas e móbiles espalhados por toda parte. Ali respira-se paz, tranquilidade e arte. Há pouco tempo, numa reunião de amigos, uma artista carioca encantou-se tanto com o que viu que saiu e voltou com uma quantidade enorme de velas e espalhou-as pela varanda e pelo quintal. O efeito foi mágico.
Autor de telas expostas nos mais diversos salões brasileiros e do exterior – Alemanha, Suíça, Estados Unidos – Assis tem especial predileção pela cozinha. Ele não sabe precisar a época em que foi despertado pelo mundo dos temperos, mas uma coisa é certa: foi-se o tempo em que só sabia o trivial para se defender quando a família viajava ou ia sozinho à praia. Uma de suas especialidades é preparar carneiro, com receitas aprendidas com amigos suíços. Tem ainda uma diversidade de pratos utilizando-se peixe.
‘‘Aprendi a fazer tudo sempre com paciência. Venho dessa escola da celebração, de ir cozinhando e tomando uma pinguinha, um vinho, sempre com muito carinho’’, explica o moço. Ciente do valor da afetividade, planeja futuramente juntar amigos em torno de um prato para depois mostrar seus novos trabalhos. Seria uma fase mais avançada de vernissage, pois nestes acontecimentos, acredita o artista ‘‘as pessoas estão sempre de costas para os quadros e objetos’’.
Valorizar a cozinha tem forte influência das mulheres da família, como a mãe e a avó, mas passa também pelos amigos suíços de longa data. Com eles ingressou no universo das ervas e seus aromas, atentou para a ciência da degustação, a pesquisa dos sabores. Os suíços colocam flores nos ingredientes e o resultado é sempre fantástico. Lila, a amiga suíça que mora na Fazenda Palmeira, em Santa Mariana, é homenageada pelo artista. Ele batizou o prato cuja receita pode ser conferida nesta, com o nome da moça.
Este é um prato básico, onde o segredo está justamente no uso das ervas. ‘‘É simples, fácil de ser feito, não demanda muito trabalho e a gente vai fazendo daquele jeito: devagarinho, com dedicação que é o tempero principal’’, ensina. Entre uma receita e outra, o moço prepara telas e esculturas que serão expostas juntamente com as obras do escultor Sasso e da pintora Odete, a partir de 7 de abril no Jardim Botânico, em Curitiba.

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