Cubanos se apresentaram no Rio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Mauro Dias
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Mauro Dias
São Paulo, 08 (AE) - Os músicos cubanos que fazem amanhã à noite, às 21h30, na Tom Brasil, em São Paulo, o espetáculo Buena Vista Social Club, atração mais esperada do Heineken Concerts 99, tocaram terça-feira no Canecão, no Rio de Janeiro, durante quase quatro horas. Nem eles queriam sair do palco (a duração prevista para o espetáculo era de duas horas) nem a platéia queria que saíssem. Foi uma grande festa. Prévia da que o público paulistano deverá assistir amanhã. Pena que não haja mais ingressos à venda. Pena que não esteja programada uma apresentação extra. Mas o festival tem mais a oferecer.
Também amanhã à noite, a partir das 21 horas, canta, no Teatro Alfa Real, a última grande dama do jazz, a cantora Shirley Horn. Ela veio para homenagear Tom Jobim. Shirley Horn abre a noite do Alfa Real, ao piano, acompanhada por contrabaixo e bateria. Depois dela apresenta-se o Zimbo Trio, que terá como convidado muito especial o saxofonista Lee Konitz, outra lenda viva do grande jazz.
Konitz estava na platéia do Alfa Real, na quarta-feira, no show de abertura do Heineken Concerts. Ouviu atentamente a música introspectiva do pianista cubano Gonzalo Rubalcaba e a produção exuberante de Charlie Haden e o Quartet West, que tem na formação o saxofonista Ernie Watts. Deve ter-se emocionado, como toda a platéia, com a participação especial de Egberto Gismonti.
Egberto não estava, inicialmente, no programa da quarta-feira. Mas Charlie Haden queria tocar com ele. Convidado, Egberto acedeu. O prazer com que aceitou o convite estava na música que fez. Tocou seu magnífico piano em dois números, "Palhaço" e "Silence", acompanhado pelo contrabaixo inteligente e melódico de Haden. Foi um espetáculo dentro do espetáculo. Os dois proporcionaram, em menos de meia hora, o que de melhor se pode querer da música.
A abertura do programa - e do festival - coube ao jovem Gonzalo Rubalcaba. Ele já esteve antes no Brasil, uma vez para tocar no Memorial da América Latina, outra para homenagear Tom Jobim, outra para um show em casa noturna. Era um pianista promissor. Hoje, é um grande pianista. Um estilista que chegou à linguagem própria e tem já definidos os termos de relação com a música.
Maduro, Rubalcaba desenvolveu um estilo econômico e denso. Usa poucas notas para dizer muito, como um grande poeta condensa em poucas palavras uma vastidão de significados. Monta poucos acordes: ao contrário, exibe a estrutura dos acordes, separando as notas para a criação de novas idéias, melódicas ou harmônicas.
Parece-se, neste sentido, com outro grande músico da nova geração, o pianista negro, e cego, norte-americano Marcus Roberts. Mas tem linguagem própria, que um dia será reconhecível. Piano de Gonzalo Rubalcaba, marca registrada. Entre ele e Egberto, o quarteto de Charlie Haden mostrou música vigorosa e técnica, com paroxismos virtuosísticos de Ernie Watts. Mas o melhor da noite esteve nos extremos - na abertura e no encerramento.