São Paulo, 30 (AE) - Contra a hegemonia dos breakbeats da Inglaterra, vem aí o antídoto: os americanos da dupla eletrônica Crystal Method, de Los Angeles. A banda entrou no cast do Free Jazz Festival na última hora, no lugar dos ingleses Propellerheads. Um punhado de fãs vibrou com a substituição, já que o Propellerheads não tem o punch, a ironia e mesmo o deboche do grupo americano. "Estamos indo para o Brasil em busca de belas garotas", anunciou a reportagem Ken Jordan, em entrevista por telefone de Los Angeles.
Ele e Scott Kirkland se conheceram em Las Vegas, onde viviam, trabalhando numa estação de rádio, onde costumavam tocar Run DMC, New Order e Depeche Mode. "A diferença entre nossos beats e os dos britânicos é que os nossos têm sexo", disse Jordan. Mais do que Chemical Brothers, o que passa pelo liquidificador do Crystal Method é o hip-hop americano. "Adoro Dr. Dre, Public Enemy, DMX e Old Dirt Bastard", confessa Ken Jordan, um fanfarrão cheio de tiradas improvisadas. Ele diz, por exemplo, que o ato de seu parceiro, Kirkland, de jogar o teclado para o alto e vê-lo espatifar-se no chão durante a execução da música "Keep Hope Alive" não tem nada a ver com uma atualização de Jimi Hendrix. "Na verdade, é apenas um ritual de punição do teclado", diverte-se. Segundo Jordan, seu trabalho com trilhas sonoras é um dos aspectos mais divertidos da carreira. Eles fizeram, com o Filter, uma faixa para a trilha do filme "Spawn". A música era "Trip Like I Do", que tornou-se uma das preferidas da banda nos shows ao vivo. O problema foi a companhia, diz Jordan. "Nós não gostamos muito de Metallica nem de hard rock", avisa. "Acho que Marilyn Manson e Orgy são coisas para crianças muito jovens brincarem de parecerem adultos muito tolos".
Quando chegou a Los Angeles, anos atrás, Jordan trabalhou como assistente de produção para artistas como Edie Brickell e Michael Penn. Enfiou-se na cena underground de Los Angeles e nas raves californianas. Kirkland ainda militou um pouco em Las Vegas, tentando ser um guitarrista. Foi aluno de Mark Slaughter, da banda de heavy metal Slaughter. Mas seu negócio era outro. Reencontrou o velho amigo de Las Vegas e os dois criaram o Crystal Method, soberano das noites psicodélicas da "Cidade dos Anjos".
O primeiro (e até agora único) disco foi "Vegas", claramente influenciado pelo Chemical Brothers. Mas logo um certo senso de insanidade, a batida onipresente do hip-hop e um barulho descontrolado de sirenes foi virando marca registrada do Method. Tornou-se mais aparentado do Prodigy do que dos breakbeats de classe média. Até usaram, em uma turnê em 1997, o vídeo proibido "Smack My Bitch Up", do Prodigy, como combustível de aquecimento do show.
O eletrofunk e o aparato de luzes coloridas do grupo costuma incendiar os locais onde tocam. Mas o Crystal Method se dá bem também fora das pistas, fazendo trilha sonoras para videogames, como foi o caso de "Road To World Cup 98". O Crystal Method toca na noite dos eletrônicos, dividindo a rave do Free Jazz com o DJ Darren Emerson (do grupo inglês Underworld) e o Orbital, avô precoce do techno. Os ingressos custam R$ 45,00 e estão à venda nas lojas Select de Alphaville, Chácara Flora, Brooklin Novo, Moema e Itaim Bibi. Também podem ser adquiridos no Jockey Club e no Shopping Iguatemi.

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