'Cruel' de Deborah Colker em Maringá
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Ela queria fazer um espetáculo sobre a crueldade, e depois de muita pesquisa e reflexão chegou ao amor - porque as situações vivenciadas em torno desse sentimento têm sempre a sua carga de crueldade. E é esse lado menos romanceado das relações amorosas que a coreógrafa Deborah Colker e sua companhia de dança trazem a Maringá neste fim de semana.
Este é o nono espetáculo da companhia, criada em 1994 e que vem acumulando prestígio internacional - Deborah já arrebatou o prêmio Laurence Olivier, uma espécie de Oscar europeu das artes cênicas, e é a responsável pela coreografia do novo espetáculo do Cirque du Soleil, intitulado Ovo. Além disso, ''Cruel'' foi bastante elogiado no festival Movimentos, na Alemanha, em maio.
Uma trajetória e tanto para uma mulher que cursou Psicologia, já foi jogadora de vôlei e estudou piano. A relação de Deborah com a dança começou em 1980, no grupo Coringa, sob a direção de Graciela Figueroa. Em 1984, foi convidada para fazer a direção de movimento de ''A irresistível aventura'', peça de Domingos de Oliveira estrelada por Dina Sfat. Posteriormente, elementos de dramaturgia começariam a aparecer em seus espetáculos, até culminar em ''Cruel'', em que os bailarinos praticamente representam personagens, em uma linguagem mais próxima ao teatro.
Porém, toda a história ainda é contada através dos movimentos da dança. ''Assim, para trabalhar com essas referências do teatro, o que fizemos em 'Cruel', na inexistência de um libreto, foi carregar os movimentos de intenções e sentidos'', afirma a dançarina.
O espetáculo se desenvolve em dois atos. No primeiro, há um baile, onde ocorre a aproximação dos protagonistas. Depois, os encontros e desencontros acontecem em torno de uma grande mesa móvel, de cinco metros de comprimento. Utilizar objetos para enriquecer as coreografias é uma constante no trabalho da companhia - ela já utilizou um palco vertical em Velox, uma grande roda em Rota e dezenas de vasos espalhados pelo chão em 4 x 4, por exemplo.
No segundo ato, o cenário é composto por grandes espelhos que se movimentam e reforçam a ideia de que, na dança de Deborah, o espaço e o movimento são interdependentes e complementares. ''É sempre o espaço que propõe para mim uma nova relação com os movimentos'', reconhece Deborah. Os 17 bailarinos movem os espelhos e se movimentam sobre eles, produzindo efeitos ópticos e reflexões. ''Em frente ao espelho é só você. E sua história se reflete na sua própria imagem'', analisa.
''Cruel'' foi montada com a colaboração de Fernando Muniz, e gradativamente foi ganhando novos elementos, como um texto de Fausto Fawcett. ''Todas essas colaborações acabaram servindo como munição nesse processo criativo, sendo absorvidas através da dança e criando uma costura nas situações que se apresentam'', explica a coreógrafa. O espetáculo conta ainda com Gringo Cardia na direção de arte e cenografia, Jorginho de Carvalho na iluminação, Berna Ceppas na trilha sonora e Samuel Cirnansck no figurino, além do diretor de teatro Gilberto Gawronski, que auxiliou na formatação dos movimentos. A Companhia de Dança Deborah Colker tem patrocínio da Petrobras.
SERVIÇO
Onde - Teatro Calil Haddad, em Maringá
Quando - Sábado, às 21h e domingo, às 20h
Quanto - R$ 60 (inteira), R$ 50 (com bônus da FOLHA) e R$ 30 (meia-entrada)
Pontos de venda - Capezio (R. Paranaguá, 921), em Londrina e Casa dos Uniformes (R. Santos Dumont, 3.205), em Maringá
Informações - (44) 3025-6767 (Tasa Eventos)


