Reunião de textos escritos entre os anos 50 e 70, ''Samba Falado - Crônicas Musicais de Vinicius de Moraes'', é um livro, em boa parte, mais curioso do que fundamental. O que há nele de imprescindível são os textos que tratam da bossa nova.
Nesses artigos produzidos entre 1959 e 1965, Vinicius se mostra um militante aguerrido, usando trincheiras como uma coluna do ''Diário Carioca'' para combater os detratores do que ele via como um movimento. E, também, a torcer com ardor quase patriótico pelo sucesso de Tom Jobim, João Gilberto e outros no exterior.
Hoje, com a bossa nova consagrada e diluída, essa torcida parece até boba, mas era corajosa. Vinicius ia contra o Brasil vira-lata, que não acreditava sermos capazes de produzir uma música internacionalmente inovadora, e contra os nacionalistas que acusavam a bossa nova de trair o chamado ''samba autêntico''.
Com esse ímpeto, travou polêmica até com o amigo Lúcio Rangel, crítico que, na revista ''Mundo Ilustrado'', fez restrições à sua parceria com Tom: ''E o que se sente é que a dupla como que desce da sua posição ''semi-erudita' para tentar alcançar as camadas nitidamente populares. Agora, soa falsa a música dos dois amigos''.
São também interessantes os perfis que Vinicius traça dos então novos da bossa. Chega a lhes fazer ressalvas duras e procura binômios: Edu Lobo como sucessor de Carlos Lyra, Francis Hime de Tom, Marcos Valle de Roberto Menescal. Nos anos seguintes, após muito estudo, Edu se firmaria como o maior discípulo de Tom.
SERVIÇO- Samba Falado - Crônicas Musicais de Vinicius de Moraes
Editora - Azougue
Páginas - 200
Quanto - R$ 36,90

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