CRÔNICAS
O matuto foi obrigado a vir para a cidade porque começou a ter dores onde sempre teve prazer. Quando chegou ficou hospedado em um "otel", na saída da cidade, um tal de "Delirius Uivantes". Depois que o caipira entrou foi que a primeira letra se acendeu e era um Motel.
Quando pediu um quarto veio uma voz estranha de uma cabine:
- O senhor é homo ou hétero?
O caipira sem dúvida alguma respondeu firme, com convicção, com voz de machão:
- Eu sou Homo, Homo com "H".
A voz disse:
- O quarto dos senhores é o 24.
Quando se afastou ouviu a voz dizer:
- Desejamos uma boa noite aos senhores.
O caipira entrou no quarto, colocando sua mala perto da cama que era redonda. Ele até pensou em reclamar, porém achou melhor tomar seu banho antes. Quando viu o formato da ducha ele levou um susto, depois simplesmente perdeu a vontade de tomar banho.
Voltou para o quarto e colocou o pijama, deitando-se ainda cedo, mas como o matuto era curioso ele resolveu mexer no controle remoto que estava ali na cama. Foi o início de uma noite de terror, porque baixou uma tela do teto e começou a passar vários filmes. O caipira nunca tinha visto aquilo na vida, não acreditava no que via. Ele se ajoelhou, pegou uma imagem de São Benedito que sempre levava na mala e rezou, porém quanto ele mais rezava mais filme passava. Finalmente dormiu assombrado, mas acordou logo, pois quando dormiu já era de madrugada.
Acordou assustado do pesadelo, porém aquilo não foi um pesadelo. O caipira se sujeitou a lavar pelo menos as partes que o médico teria que examinar, mas com a ducha bem longe. Saiu e pagou a conta, a voz disse:
- Espero que os senhores voltem sempre.
O caipira saiu em direção ao hospital, andou, se perdeu, pediu informação, depois de três horas ele chegou atrasado. Quando retornou para sua casinha no cafundó estava indignado. Ele contou para sua mulher que ouviu tudo atentamente, assustada, mas ela ficou mesmo assustada quando seu marido disse:
- Mulher, você nem imagina o que o doutor teve coragem de fazer comigo, ele ainda disse que era para o meu próprio bem. Ele foi até o ouvido dela e quando ela ouviu até arregalou os olhos:
- É marido, se você estava doente e o doutor teve coragem de fazer isso, imagine quando você voltar lá e tiver com a saúde boa.
O matuto respondeu:
- Eu não quero nem pensar, chega a me dar uma pontada nas partes baixas.
Moral da estória: "Galo no terreiro dos outros é galinha."
Manoel José Rodrigues é assistente administrativo em Alvorada do Sul
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





