CRÔNICAS - Oitenta vezes a cidade da acolhida
Não sou londrinense. Mas estou aqui e de alguma forma, vivo essa cidade como sendo minha também. Ou eu dela. Ah, tanto faz! Vivemos juntas, ela e eu, cada uma construindo sua história.
A cidade é muito maior. Veio antes e ficará para muito depois. Eu também já estive em outras e talvez minha saga não permaneça por aqui até o fim. Só que agora, nós estamos juntas. Fazendo o dia a dia uma da outra. E isso é muita coisa... É mais que mera influência, é a existência.
A cidade é o espaço que permite a vida daqueles que vivem ou passam por ali. Não é só concreto feito belas paisagens, é como uma dimensão mágica feita ponto a ponto pra dar passagem. Orgânica e mutante. Como um ser de vida própria, que tem suas estações, suas doenças e suas glórias.
Londrina é assim. Mais que tudo, a cidade da acolhida. De muitos povos, com suas línguas e seus trejeitos. Do café, da tecnologia e dos pombos (ah, os pombos!!). Da cultura em festivais locais e internacionais. Dos tantos estudantes, uns criando raízes, outros se espalhando pelo mundo, feito nosso pó vermelho. Dos letrados, dos artistas, dos pingados, dos frentistas, e de tantos motoristas. Do campo em flor, grãos e patas no chão.
Londrina acolhe em sua terra fértil um mundo cheio de ideias para fazer a vida ser bonita, ser útil e ser gloriosa pra você, pra mim e pra qualquer outro... Assim, como uma passarada, em bando, cantando pra tristeza ter um fim.
E no concreto, o arquiteto, o político, o doutor, o professor, o gari, a bailarina, a dentista, e as mil faces desse povo, retribuam à terra vermelha o respeito, o zelo e a gentileza, que LONDRINA carece sim...
Kelly Shimohiro é psicóloga e escritora em Londrina





