Escolher a felicidade: esta é, sem a menor dúvida, uma opção que todos temos. Não vou dizer que não passamos por maus momentos, que não temos experiências negativas ou que não nos deparamos com pessoas que realmente nos fazem mal, que não sofremos perdas, decepções e frustrações aos montes. Tem acontecimentos que às vezes não conseguimos superar ou esquecer, porém, mesmo assim - e talvez com alguma ajuda profissional, como eu mesma fiz - ainda temos a chance de escolher a felicidade.
Tem gente que se acostuma com o sofrimento, que se acomoda na infelicidade, se faz responsável por ela e a espalha ao seu redor, criando um universo sombrio e sem expectativas no qual os outros são obrigados a viver. E isso não é justo...
Mas, por que optam por isto? É porque ser infeliz é mais fácil? (e é mesmo.) Para ser feliz tem que se lutar contra demasiados obstáculos? Será que existe tão pouca gente assim disposta a encarar o desafio de ser feliz? (porque é mesmo um desafio.) Ou será que tem demasiadas pessoas convencidas de que não têm direito ou oportunidade de serem felizes?
Mas, por que têm essa tendência mórbida de pensar que não são dignos, que nasceram para se dar mal, que não são capazes de atingir a felicidade? Por que o medo de procurá-la e vivê-la? Por que o medo de não encontrá-la ou, de perdê-la uma vez descoberta e experimentada?
É claro que a vida está cheia de problemas, desafios, fracassos, decepções, despedidas e uma montanha de coisas e pessoas negativas, mas eu estou convencida de que escolher conscientemente sermos felizes fará com que essa montanha não seja tão pesada e que sejamos capazes de nos levantar e continuar em frente, renovados e cheios de coragem, depois de tropeçar e cair.
Escolher a felicidade desenvolverá em nós a capacidade inabalável de recomeçar quantas vezes seja necessário, de não perder a fé nem o espírito de luta, de nos reinventar, de criar, de encontrar sempre uma saída.
Escolher a felicidade não é somente uma atitude positiva que resulta em "se dar bem", mas também uma tremenda responsabilidade, mas eu a prefiro a ser responsável pelo meu próprio sofrimento e o de quem está à minha volta.

Paz Aldunate é professora, escritora e artista plástica em Santiago (Chile)

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