CRÔNICAS - Amiga verde
Foi numa manhã fria e chuvosa de junho que a conheci. Era o meu primeiro dia de trabalho naquele lugar. Estava insegura e receosa por enfrentar o desconhecido.
Ela estava lá, naquele ponto de ônibus deserto e deu-me as boas-vindas. Com meu senso de observação, tive a certeza que ela faria pare da minha vida e que uma grande amizade nos uniria. Ela era bela e cheia de alegria. Se vestia de um rosa que encantava.
Em todas manhãs que se seguiram àquele primeiro dia, a encontrava no mesmo lugar, feliz cantando suas canções ao sol e ao vento. Nos intervalos de almoço eu a procurava, sentava-me junto dela e fazia confidências. Falava dos meus sonhos, sobretudo da esperança em dias melhores. Ela ouvia calada e seu silêncio dava-me paz e segurança.
Não sei como nem quando aconteceu, mas um dia percebi que ela ficou gravemente doente. Estava condenada. Assisti à sua lenta agonia e nas manhãs, quando descia do ônibus, ouvia seus lamentos. Uma grande tristeza tomava conta de mim por não poder fazer nada.
E numa noite de tremendo temporal, tudo chegou ao fim. Ela não resistiu à fúria da natureza e tombou. Na manhã seguinte eu a encontrei morta, com os braços estendidos aos céus como que agradecendo.
Sua existência não foi em vão. Ela cumpriu tudo o que o Criador predeterminou: ela nasceu, cresceu, deu frutos e se multiplicou.
Hoje já não existem tantas perobas naquele lugar, que um dia, foi chamado de perobal, mas algumas remanescentes, tenho certeza, nasceram de suas sementes...
Isabel de Barros é servidora pública aposentada em Londrina





