CRÔNICA
Antes de completar 20 anos da sua fundação, ou seja, por volta de 1950, foi iniciada a construção do primeiro arranha-céu da cidade. Isso mesmo, antigamente os prédios altos construídos em concreto armado ou estrutura metálica eram chamados de arranha-céus.
Nessa época eu era criança, estava no início do curso ginasial no Colégio Estadual de Londrina. Mesmo assim fiquei contente em saber que a minha cidade natal teria um arranha-céu, um prédio com elevador. Mais tarde soube que o nome do prédio seria "Autolon".
Em 1949, quando iniciei o curso ginasial, estive em São Paulo, junto com o time infantil de beisebol de Londrina que representou o Paraná no Campeonato Brasileiro Interclubes. Voltei da capital paulista impressionado com a altura dos prédios, dos arranha-céus de lá, principalmente do "Martinelli" e do "Banco do Estado", os mais altos do Brasil. Embora com 13 anos, sonhava em ser engenheiro no futuro, quem sabe construtor de prédios altos de concreto armado. Sonho de menino que morava no sítio e estava deslumbrado ao conhecer São Paulo.
Do sítio onde morava, junto ao córrego do Quati, até o Ginásio tinha aproximadamente 4 quilômetros. O trajeto todo era feito a pé, iniciando a caminhada pelas estradas de sítio, continuando pela rodovia poeirenta na seca e barrenta na chuva (atual Av. Rio Branco), seguindo pela estrada de ferro (atual Av. Leste-Oeste) até a Rua São Salvador, local do Ginásio.
Na volta da escola, muitas vezes mudava o trajeto para ver a construção do "Autolon", e ficava admirando a progressão da obra, que se tornava cada vez mais alto e visível a longa distância. A minha alegria era visualizar de longe a estrutura de concreto do ponto alto do sítio, subindo ao topo da escada levantada junto ao pé de café na época da colheita. Hoje, onde era sítio se tornou zona urbana de Londrina. A cidade cresceu, o cafezal desapareceu, e em vez de um prédio em construção pode se ver centenas de arranha-céus apontando ao alto, pois Londrina deixou de ser "Cidade Menina" para ser uma metrópole em 80 anos de existência. A cidade continua menina, apenas pela origem, filha de Londres.
Pois é, o "Autolon" foi o primeiro arranha-céu da cidade há mais de 60 anos, no tempo em que "Ouro Verde", como era conhecido o café, sustentava o crescimento acelerado de Londrina. Por mera coincidência, o teatro municipal que foi levantado ao lado do "Autolon" chamava-se "Teatro Ouro Verde". A casa sofreu um incêndio há pouco tempo, foi consumida pelo fogo, mas dentro de pouco tempo voltará ao mesmo local com o mesmo nome, para que os londrinenses se lembrem de que os dois nomes fazem parte da história da cidade.
*Toshio Icizuca é londrinense, engenheiro, escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





