Quando passo de carro pela Vila Casoni sempre fico pensando que embora ali haja progresso parece que as coisas parecem sempre com aspecto de quando eu era criança, e isso me traz uma certa nostalgia. E veem–me lembranças de uma época muito agradável em que eu tomava guaraná Londrina, assistia a "Perdidos no Espaço" na televisão e pulava em poça d'água em dia de chuva.
A Vila Casoni, em Londrina, é um daqueles bairros em que o tempo parece ter parado para descansar. E tem sua beleza. É um dos lugares que mais deve abrigar lembranças em nossa cidade. Cada casa, cada tábua de peroba - madeira rara hoje em dia - usada para o fabrico de móveis finos -,cada telha francesa, cada interruptor antigo, cada assoalho revestido de infinitas camadas de cera canário, parece uma página da história de Londrina que se folheia a cada dia...
A Vila Casoni é como um museu vivo dessa cidade multifacetária, que por ter muitas faces não quer dizer que não tenha identidade própria, aliás, a sua identidade talvez seja justamente esta: aceitar todos os povos e culturas e nessa simbiose de povos e terra - o presente se refaça como num moto contínuo que deu certo. Primeiro os ingleses com a colonização, depois os italianos, portugueses, alemães, japoneses e outros povos, além dos paulistas, mineiros, baianos e mais tantos brasileiros que aqui se instalaram.
A Vila Casoni e suas casas com telhados de quatro águas com telhas francesas parecem uma relíquia viva de uma época de muros baixos e cordialidades entre vizinhos. A Vila Casoni não é apenas um lugar, mas um modo de vida com a aura de um passado que se perpetua no presente. Pessoas que ali nos dão o exemplo de que a vida é respirar a amizade, varrer a calçada com esmero ,conversar com respeito com o vizinho, cuidar da velha árvore em frente à casa, enfim quase um lugar idílico, onde o sonho parece nunca acabar.
Ali também o trabalho nunca pára. As pessoas no seu movimento laboral transitam velozmente suas ruas, têm suas atividades comerciais, muitas inclusive tradicionais, e o vai e vem dos carros que já não são mais os fuscas, rurais, jipes, decavês e vemaguetes de outrora. Parece até que vejo meu pai e eu na velha Kombi metade branca e metade vermelha levando pães para alguns fregueses de mercearias. Talvez a Vila Casoni que eu veja seja apenas lembrança e a que existe não seja a mesma. Mas uma coisa é certa: a Vila Casoni é não só uma página, mas um capítulo essencial da história de Londrina.

Dailton Martins é comerciante em Londrina

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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