CRÔNICA - Vida de mesário
Quando a convocação chega em casa, bate na porta e diz: Bem-vindo a vida de mesário! Dá uma preguicinha...
No momento, não parece ser tão boa notícia. Perder o domingão de sol, churrasco com os amigos, etc, etc parece ser uma ironia do destino. Mas no final do dia, o exercício da democracia se torna menos penoso com um ufa! Dever cumprido!
Oito horas em ponto, já tem umas vovozinhas querendo votar. Elas são uma graça! Vergonha alheia para muito jovenzinho, que reclama de ter que fazer o título de eleitor. Depois não pode reclamar da situação estar como está. Esse dia é diferente, é especial. Se conhece novas pessoas, cria-se novas amizades. Se conhece quem são as carinhas do teu bairro, aquele que você quando vai ao mercado, não fala ao menos um oi.
Dia nacional da política, se política fosse só isso mesmo. Alguns votam nulo, branco, com ar de deboche, procrastinação ou até de revolta. Outros nem sabem em quem votar. O que muito se ouve é que ninguém presta!
Outro detalhe é o livro de assinaturas. Quanta Maria, quanto João, quanto José! Ô povo homônimo!
O que alegra também são os sorrisos que encontramos, o povo brasileiro que se arruma e coloca a melhor roupa. Tem muita gente que se sente importante e lembra que existe neste dia. Este é o presente dado pela democracia.
Horas depois, você percebe que tudo valeu a pena. Até de ter atendido aquele cara bêbado do bairro, que por ser bêbado não deixa de ser cidadão.
Thais Leite é jornalista em Londrina





